
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405
Eu particularmente senti uma decadência muito grande do primeiro jogo para o segundo, estava esperançoso por uma melhoria efetiva para o terceiro jogo da franquia, que ocorreu, mas não da forma que eu realmente esperava. A desenvolvedora alemã Crytek, decidiu mesclar os melhores elementos dos dois títulos anteriores, onde a ideia era unir a liberdade das vastas selvas do primeiro título com o cenário urbano estruturado do segundo, resultando em uma aventura deslumbrante e competente, mas que pecava por pouco desafio e falta de inovação na gameplay.
A narrativa avança no tempo e nos coloca mais de vinte anos após os eventos do capítulo anterior, em meio à uma Nova York encoberta por uma vegetação selvagem. Acompanhamos a jornada de caça do protagonista Prophet, e claro, com o uso do traje Nanosuit, para combater as tropas opressoras da mega corporação militar CELL. O roteiro tenta trazer um peso dramático focando no sacrifício pessoal e no dilema sobre o quanto de humanidade ainda resta sob a máquina do herói, mas os diálogos rasos limitam o impacto emocional e não conseguem engajar pelo enredo.
Mas ao menos, este título voltou a carregar o peso do nome Crysis, isso quando falamos em qualidade gráfica e claro, exigência de hardware. A CryEngine 3, conseguiu construir ruínas muito detalhadas, onde a grama balança ao vento e a água reage perfeitamente aos passos do jogador. Notei também uma qualidade descomunal de textura e iluminação, muito à frente de jogos do gênero de sua época. Acompanhando o grandioso trabalho gráfico, o áudio também consegue ser formidável, graças ao compositor Borislav Slavov, que nos entregou uma trilha sonora que mistura percussão tribal com sons digitais, funcionando muito bem para o ambiente que vemos no jogo e ainda melhor com a brilhante qualidade de efeitos sonoros, principalmente quando se tratava de sons do traje ou dos alienígenas.
Na gameplay praticamente não tivemos inovação, tendo o único destaque uma arma nova, o Arco Predador, que consegue efetuar disparos silenciosos, ou então diferenciados, com o uso de flechas elétricas ou explosivas, mas que podiam ainda ser usadas sem desativar a camuflagem (O que na minha opinião facilitou demais certos embates). Ocorreu também uma tentativa do modo multiplayer, porém que não se sustentou e acabou sendo encerrado em um curto período de tempo.
VEREDITO: Crysis 3 cumpre a missão de resgatar o estigma de marco visual da franquia, utilizando a potência da engine para entregar o espetáculo gráfico que se esperava. No entanto, a decisão de fundir os cenários urbanos à liberdade das selvas resulta em uma experiência de jogabilidade engessada por uma perceptível falta de inovação e por facilidades mecânicas. O título se consolida como uma obra tecnicamente irretocável, mas que falha em dar profundidade à sua narrativa e em manter a relevância de seus sistemas de jogo. Em suma, tivemos excelência técnica, mas baixa criatividade artística, mais parecendo uma demo para a venda do motor gráfico.