
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Este game, para mim, faz parte de um objetivo pessoal: zerar toda a franquia de Resident Evil, onde separei por etapas, sendo esta a dos remakes. Neste título retornamos à Raccoon City para conquistar a fuga de Jill Valentine, em meio à escombros e uma perseguição insana do icônico vilão Nemesis. Diferente do ritmo cadenciado de seu antecessor, a narrativa aqui adota uma estrutura linear e urgente, reduzindo os elementos de exploração, quebra-cabeças, jump-scares, clima de terror e falta de recursos, o que na prática nos traz um combate mais coreografado, pouco desenvolvimento de personagens e uma dificuldade muito facilitada. A brevidade da campanha e a remoção de cenários icônicos do jogo original (como a torre do relógio), resultou em um escopo excessivamente enxuto e muito menos focado no survivor horror que define a franquia. Ou seja, para se divertir com este título, tente imaginar que nunca aconteceu o original, separando-o de sua mente, pois quaisquer viés, pode estragar e muito a experiência.
O motor gráfico utilizado aqui é o mesmo de RE2, a famosa RE Engine, que nos mostra em tela gráficos espetaculares, com efeitos de iluminação, sombreamento e saturação de cor na medida certa, e que ainda consegue ser extremamente otimizado, mesmo em resoluções altas como 4K. Temos ainda uma vasta gama de ajustes, que permite não apenas o alcance de fluidez, como também a melhor adaptação visual para cada tipo de jogador, levando em conta gostos pessoais, incluindo até nostalgia, com seus filtros estilo CRT. A arquitetura de software oferece ainda suporte à tecnologias como Ray Tracing (Que neste título não pesa tanto quanto em outros do mercado) e suporte a monitores ultrawide (Situação alvo de muitas reclamações hoje em dia, devido à popularização de telas curvas).
A jogabilidade tem a introdução da esquiva, que se perfeita, ativa uma breve janela de tempo de reação desacelerada, permitindo disparos críticos ou fugas estratégicas. Esse sistema, em minha concepção, traz um poder muito alto ao protagonista, pois incentiva o combate próximo, fazendo o jogador quase provocar os inimigos, ficando o medo completamente de fora em todos os embates. A inteligência artificial de Nemesis foi programada para ser muito mais ágil, utilizando tentáculos para capturar o jogador e saltos de longo alcance para bloquear rotas de fuga, algo um pouco surreal na prática, pois ver um monstro gigante deslizando pelo chão, não é muito convincente. A sua presença, é mais ditada por eventos roteirizados do que por uma perseguição orgânica em mundo aberto (Diferente do que vemos com Mr.X, no título anterior), sendo um tanto previsível as aparições.
Com um foco meticuloso na iluminação dinâmica de neon das ruas de Raccoon City, embora pareçam mais cenários do que uma cidade, tem sim sua beleza, não apenas técnica, mas também artística. A deformação física dos inimigos sob fogo, explosões e tiros é algo que deveria ser um padrão para a indústria atual, pois não apenas temos o visual desse gore, vemos também a gameplay sendo afetada pela imobilidade das criaturas, quando em perca de membros ou transformações. Na trilha sonora, temos uma mesclagem de temas orquestrais épicos, com ruídos industriais distorcidos, amplificando a sensação de colapso urbano, sendo esta uma das principais referências ao game original que pude notar.
VEREDITO: Resident Evil 3 entrega um visual impressionante e uma otimização técnica de alto nível, mas escorrega ao abandonar a essência do terror de sobrevivência. O corte de cenários clássicos e a campanha muito curta tornam a jornada linear e apressada. Além disso, o medo desaparece graças a uma mecânica de esquiva que facilita muito o combate e a um Nemesis previsível, que fica preso a aparições roteirizadas em vez de uma perseguição real. Porém, funciona ainda como um jogo de ação rápido, claro que se você conseguir esquecer o peso da obra original, mas como um remake da franquia, a experiência entrega menos do que esperado.