
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: GameSir T4n-Lite
▪ Lançamento: 2023
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Muito Fácil ◈◇◇◇◇
Quantic Dream conseguiu me impressionar novamente - assim como foi com Heavy Rain - pois aqui temos uma história impactante que retrata dilemas de convívio entre a humanidade e inteligência artificial, assunto inclusive muito em alta nos tempos atuais, pois estamos à poucos anos de viver dentro de uma realidade parecida com a próxima revolução tecnológica dos humanoides. A jornada em uma Detroit distópica de 2038, de Connor, Kara e Markus, é um exercício de empatia, pois cada escolha impacta em uma cadeia de acontecimentos, não havendo checkpoints, apenas uma história que vai decorrendo dentro do que o jogador escolhe e simulando as consequências daquele mundo.
A arquitetura do jogo é sustentada por um complexo sistema de fluxogramas que monitora milhares de variáveis em tempo real, garantindo que cada decisão ou falha mecânica do jogador resulte em ramificações permanentes, capazes de alterar drasticamente o destino dos protagonistas e o desfecho da revolução cibernética. Este fluxo é possível ver ao final de cada capítulo, assim como os questionários da tela inicial, não aparecendo apenas sua rota, mas também aponta o quanto você tem em similaridade com outros jogadores.
Visualmente, é deslumbrante! O trabalho de captura de movimentos e as expressões dos atores são tão reais que muitas vezes me sentia em um filme e não em um jogo. Os cenários internos das casas, prédios e empresas são de uma fidelidade artística que beira ao foto-realismo, demonstrando que games de narrativa, podem sim fazer parte na nata gráfica da indústria. Por isso, mesmo utilizando Vulkan, o jogo apresentou desafios de otimização, demandando alta capacidade de VRAM e múltiplos núcleos de processamento para gerenciar a iluminação global e os densos cenários urbanos sem quedas na taxa de quadros, algo que dependendo da placa e resolução, pode ainda ser um tanto difícil a execução.
A direção de áudio opta pela divisão da trilha sonora entre três compositores diferentes, cada um utilizando instrumentos específicos para refletir a psique de cada androide: sintetizadores frios para a lógica de Connor, cordas melancólicas para a jornada de Kara e orquestrações grandiosas para a ascensão de Markus. Essa diferenciação auditiva reforça a identidade individual de cada arco narrativo dentro de um mundo visualmente unificado e que além da gameplay, convida o jogador à passar horas dentro dos extras do jogo.
VEREDITO: Detroit: Become Human entrega uma experiência narrativa de peso ao explorar os dilemas da inteligência artificial de forma incrivelmente atual. A ausência de checkpoints e a consequência real de cada escolha, que incluem até mortes definitivas de personagens, transformam o jogo em um forte exercício de empatia, amarrado por fluxogramas muito bem elaborados. Mesmo exigindo um computador potente para lidar com gráficos que beiram à perfeição, a união da alta fidelidade visual com uma trilha sonora única para cada protagonista, faz desta mais uma grande jornada inesquecível.