#0001 | Super Mario Kart (1992)


10/10 ★★★★★★★★★★

▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Super Nintendo Baby
▪ Controlador: Nintendo SNS-005

▪ Lançamento: 1992
▪ Gameplay: 1999 ✪ Melhor do ano
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Primeira vez que zerei este jogo, foi uma experiência pura: uma criança de 10 anos com um Super Nintendo, uma fita e um sonho: zerar o primeiro jogo da vida. E sim, eu consegui!

Super Mario Kart foi o grande precursor do gênero de corrida de combate, criando uma ilusão de profundidade tridimensional revolucionária para o SNES, sendo quase uma demonstração do que teríamos em jogos no futuro.

Diferente de simuladores tradicionais, a dinâmica aqui é o estado de caos, onde a estratégia não é apenas correr, pois temos também a dificuldade dos desafios impostos pelos demais jogadores com o uso de poderes especiais, alguns até influenciando os primeiros colocados, garantindo que a corrida sempre se defina muito próximo da bandeira final.

Coletar moedas é vital para manter a velocidade máxima e evitar rodopiar ao bater em oponentes, mas que nada protegem de buracos, poças, e outros terrenos que dificultam a sua passagem. Sim, este é um jogo muito difícil, mas que com o devido tempo de costume sob o controle de personagens, se torna um dos games mais divertidos da franquia Mario, conquistando crianças e adultos e sendo até hoje muito jogável com filtros de emulação ou telas CRT.

Inicialmente, este game seria um modo multiplayer de F-Zero, mas como o poder de fogo do SNES não era o suficiente para seu processamento, a Nintendo preferiu a substituição de naves por Karts. Além disso, o item de raio, que como mencionei anteriormente trazia o equilíbrio para o game (pois afeta a todos os jogadores, exceto o que jogou), foi inicialmente inserido para reduzir sprites. Este nível de detalhes menor dava uma folga para o processador, evitando travamentos e sobreaquecimentos (Eu acho incrível soluções bem pensadas assim, como a que acontece no Silent Hill com a névoa).

Embora o 3D fosse algo que tenha me chocado na época (Meu contato com games até então eram somente SNES, NEO GEO e Mega Drive), este jogo na verdade usava o "Mode 7" para rotacionar e inclinar uma única camada 2D, criando a ilusão de profundidade e movimento. Justamente por este motivo a metade inferior exibe o mapa ou o retrovisor, algo dedicado para facilitar este tipo de processamento.

A trilha sonora utiliza o chip de áudio do SNES como acontecia com muitos jogos da época, então o toque polifônico era presente, mas tinha suas características marcantes, com tons vibrantes e que empolgavam a cada corrida. Era possível perceber sons com base em instrumentos reais, como trompetes, baixos e bateria, que davam mais dinamismo à limitação do console. Umas das melhores sacadas do design de som, foi a aceleração da música automaticamente na última volta, vindo na sequência de um efeito sonoro que acabou se tornando um padrão em quase todos os jogos de corrida da Nintendo. E sim, aqui você vai escutar o "plim" ao coletar moedinhas, pois este game não é apenas um F-Zero do Mario, é um trabalho visto e revisto pelos desenvolvedores, para que fosse o mais similar ao famoso Super Mario World - em ascensão na época.

As pistas utilizam os biomas do jogo de plataforma, como por exemplo a Donut Plains, (literalmente a minha preferida), trazendo a alusão de um jogo plataforma, convertido em corrida. Percebe-se também um design diferenciado, com sistemas para saltos sobre buracos, corte de caminhos com o uso de cogumelos especiais (Pois não existe penalização de fora de faixa, como em simuladores tradicionais) e obstáculos ativos que podem inclusive esmagar seu Kart (Que para mim, que já amava o Mario World, era um fanservice espetacular). Isso tudo se estende na questão da alta dificuldade, pois o próprio cenário (ou pista, se preferir) é um vilão geral de todos e é uma ameaça à sua colocação na corrida, mesmo que Lakitu (O copa que flutua na nuvem), venha lhe auxiliar ao cair no buraco, pois cada segundo em que esta sendo resgatado, conta muito!

VEREDITO: Super Mario Kart é a prova de que limitações técnicas podem gerar genialidade, contém uma trilha sonora dinâmica e marcante, e foca em um sistema de corrida baseada em caos estratégico. A Nintendo não apenas criou um clássico do SNES, mas fundou um gênero inteiro com este game, que mesmo anos depois agrada a quem joga e hoje se consolidou como uma das principais franquias do mercado. Definitivamente, eu comecei com o pé direito na minha jornada gamer.

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