#0149 | Dark Souls II: Scholar of the First Sin (2015)


5/10 ★★★★★✰✰✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2015
▪ Gameplay: 2025
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

Este jogo infelizmente confunde dificuldade com frustração gratuita, isso graças ao desequilíbrio de inimigos, status sem sentido e mapas confusos que não contam com a característica conexão que vemos na edição anterior. Além disso, temos uma duração desnecessariamente estendida, com uma lore que se perde sozinha no meio, incluindo em ignorar os acontecimentos do primeiro jogo. Dark Souls 2 necessita urgente de um remake, uma reestruturação e revisão geral, para assim corrigir seus erros e quem sabe assim, brilhar como seus companheiros de trilogia. Temos já alguns MOD's que corrigem certos pontos e para ser justo ainda pretendo rejogar com eles, mas por enquanto este segue sendo um dos piores jogos que já zerei na minha trajetória gamer!

Existe um debate na comunidade gamer, principalmente entre os fãs de soulslike, que nunca vai se encerrar completamente, e ele gira em torno da falta de Hidetaka Miyazaki nesta produção, que se afastou da direção para supervisionar outros projetos da FromSoftware. A série então foi repassada para as mãos de Tomohiro Shibuya e Yui Tanimura, e o resultado foi um jogo não consegue entregar a mesma convicção que tornou o nome Dark Souls icônico em sua época. Scholar of the First Sin foi uma tentativa de melhoria, e por isso optei por jogar a versão já com esta expansão ativa, que reposiciona inimigos e atualiza a base técnica, mas nenhuma dessas correções toca nos problemas estruturais que fazem o jogo tropeçar onde mais importa: sua gameplay.

A narrativa se passa em Drangleic, um reino em decadência governado pelo rei Vendrick, manipulado às cegas por sua rainha Nashandra, que se revela um fragmento da entidade cósmica Manus com ambições sobre a Primeira Chama. A premissa tem potencial, e há momentos em que a melancolia da série encontra expressão genuína, especialmente no arco de Vendrick e na figura enigmática de Aldia, o sábio exilado que dá título à edição revisada e que representa o pensamento mais interessante que o jogo oferece sobre o ciclo de morte e renascimento da franquia. O problema é que a construção narrativa entre esses pontos é irregular, com locais que parecem colados entre si, sem coerência geográfica, como o famoso meme do elevador de madeira no topo de um moinho de vento, que após subir, sai diretamente em cima de um enorme castelo de ferro flutuando sobre um oceano de lava. A tentativa de expandir o alcance da mitologia resulta numa história que se perde em seus próprios fragmentos, ocasionando após determinado momento um desinteresse, me fazendo ignorar a lore na etapa final - zerei sem emoção.

O padrão sombrio que se espera da série é parcialmente encontrado no jogo, com visuais que funcionam bem em ambientes específicos, como as catacumbas de Earthen Peak e o gelo eterno de Eleum Loyce. Porém temos muito mais claridade se comparado ao jogo original, como por exemplo a própria base inicial Majula ou a Floresta dos Gigantes Caídos, sendo em áreas abertas, mas que ainda mantém uma certa tristeza nostálgica. A trilha sonora foi composta pela dupla Motoi Sakuraba e Yuka Kitamura, onde finalmente temos algo de qualidade, pois traz o formato orquestral esperado pelos jogos da From, com ênfase em momentos épicos.

Porém vamos falar do elefante sentado no canto da sala: a jogabilidade. Este título acumula erros nesse sentido, onde a cadência é exagerada devido ao sistema de stamina com movimentos que custam mais, fila de comandos menos responsivas e ainda acompanhada ainda de erros de hitboxes grotescos, que punem o jogador de maneiras que não correspondem ao que acontece na tela. O reposicionamento de inimigos ao invés de ajudar, acabou criando aglomerações em corredores estreitos, que testam a paciência acima da habilidade, frustrando desnecessariamente quem joga. Temos ainda os status de habilidade que pouco influenciam efetivamente na gameplay e que ainda obriga a subir pontos onde deveria ser uma função comum do jogo, como por exemplos rolamentos de esquiva e até mesmo em abertura de portas.

VEREDITO: Dark Souls II: Scholar of the First Sin é um jogo que ainda carrega contradições estruturais que nenhuma revisão oficial foi capaz de resolver. Os DLCs integrados oferecem alguns dos melhores momentos da experiência completa e a trilha sonora procura trazer uma característica única e memorável, mas que acaba se perdendo dentro de uma atmosfera sem direção. Se para jogadores veteranos em soulslike eu já demonstraria ressalvas, para casuais definitivamente este título saliento não ser uma porta de entrada ideal. Vou ainda jogar com MOD feito pela comunidade, pois sou fã da franquia, mas confesso que minhas expectativas estão bem baixas.

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