
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
O clássico de 1998 se passava em uma delegacia, em meio à um cenário de horror claustrofóbico. Agora neste remake, temos essa mesma sensação, porém mais elevada, devido à uma dose inacreditável de fotorrealismo, graças ao poder extraordinário da RE engine. A narrativa mantém a estrutura de protagonistas duplos, permitindo que o jogador escolha entre o policial novato Leon S. Kennedy e a estudante Claire Redfield. O roteiro foca na sobrevivência ao surto do T-Vírus, explorando a conspiração da Umbrella Corporation sob uma perspectiva de terror psicológico, principalmente pela clássica limitação de recursos.
A resolução de puzzles (que respeitam a lógica do original, um fanservice que eu adorei), realmente funciona muito bem - talvez até melhor, se levar me conta o uso de uma interface mais limpa. Porém um ponto crítico é a discrepância cronológica (e até lutas repetidas) entre uma campanha e outra, dando a impressão de ter jogado duas versões de um mesmo jogo e não duas visões de uma mesma história.
Nesta nova versão é abandonado as câmeras fixas e optado pelo padrão over the shoulder, que exigiu uma reformulação completa da gameplay e da detecção de danos, algo que felizmente foi efetuado de forma brilhante pela Capcom. Em combate, a desmembração detalhada dos zumbis é algo surreal, com pedaços que se soltam e pele que sofrem escoriações, alterando inclusive a mobilidade dos inimigos em tempo real e com isso trazendo muito mais realismo à obra. Temos ainda uma baita inovação com a inteligência artificial do Mr. X (O nosso vilão perseguidor), que com seus passos persistentes e rompendo barreiras como portas das salas, consegue trazer uma sensação de urgência e tensão para a exploração, pois ele não é um monstro passivo ou limitado como os demais.
A direção de arte, através da fotogrametria - técnica que digitaliza objetos e pessoas do mundo real para dentro do motor gráfico - consegue ser muito crível em detalhes, principalmente de objetos, roupas e móveis. No áudio, é prevalecida a fundamentação do medo, abusando da tridimensionalidade e ruídos nos momentos certos, como sons de mastigação, rangido do assoalho e até a chuva batendo contra as janelas. Tudo isso é salientado pela incrível trilha sonora de William Birkin, que alterna entre o silêncio absoluto na exploração e batidas industriais frenéticas em meio aos combates.
O mais impressionante, pois mais que eu esteja tecendo elogios principalmente à execução gráfica, a RE engine consegue ser extremamente otimizada, principalmente na execução no PC - plataforma que utilizei. Temos um menu que inclusive nos oferece um monitoramento extremamente detalhado da VRAM, conforme se faz os setups.
VEREDITO: Resident Evil 2 atualiza o terror claustrofóbico com um visual bastante realista e uma jogabilidade moderna e muito bem otimizada. O jogo acerta ao criar uma tensão constante, seja pela clássica falta de recursos, pelo ótimo sistema de dano aos zumbis ou pela perseguição implacável do Mr. X. O tropeço da obra fica apenas na narrativa dividida, que falha ao conectar a linha do tempo de Leon e Claire de forma lógica, gerando furos e batalhas repetidas. Ainda assim, é um retorno de grande peso que honra muito bem as raízes da franquia, mesmo adaptado à tecnologias atuais.