#0187 | Figment (2017)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: Red Magic 10 Air
▪ Controlador: EasySMX M15

▪ Lançamento: 2017
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Fácil ◈◈◈◇◇

Minha experiência com essa franquia foi inicialmente com Figment 2, que ganhei pela EPIC games e me impressionei positivamente. Optei então por não continuar o game e dar um passo atrás e seguindo a ordem de lançamento com o primeiro título. Outra curiosidade é que este foi o primeiro jogo de PC que zerei pelo celular via GameHub e que funcionou de forma espetacular em 2,5K de resolução aos seus 120fps via frame-gen e ainda com instalação nativa, sem precisar da extração prévia de arquivos. Preparado então para o game, fui conferir se a excelência que vi na segunda versão já era considerado algo promissor da Bedtime Digital Games, visto que a experiência original com o formato era oriundo do Back to Bed, que já havia sido amplamente elogiado pela comunidade cozy. O mergulho literal dentro da mente humana é o ponto de partida de Figment, um action-adventure que transforma pensamentos, medos e memórias em cenários navegáveis, que me lembrou muito o título Psychonauts.

A narrativa acompanha Dusty, a antiga voz da coragem dentro de uma mente que permaneceu tranquila por anos, até que criaturas sombrias começam a surgir e espalhar medo por todos os cantos. Sempre ao lado temos Piper, a companheira otimista, que sempre motiva o protagonista em meio à diferentes regiões simbólicas dessa consciência fragmentada, numa jornada que funciona como metáfora para o enfrentamento de traumas e inseguranças pessoais. O roteiro não busca grandes reviravoltas, mas compensa isso com um tom acolhedor e humor saudável, que evita transformar o peso temático em algo pesaroso, conquistando muito disso com os cenários coloridos e encantadores. É uma história simples na superfície, mas que ganha camadas quando ao pensar no que cada área da mente representa e onde ficam alocados as nossas cicatrizes emocionais.

A trilha sonora, assim como os efeitos de design de som, não são tão perfeitos quanto o segundo jogo, mas não se engane, o serviço aqui já é muito impressionante. Assinada por Stöj Snak, a mistura de folk, rock e melodias cantadas em momentos-chave da aventura, criam uma identidade sonora que enfatiza um clima de fábula distorcida, fazendo aquele mundo mágico funcionar de forma muito orgânica. A direção de arte acompanha o ritmo, apostando em um estilo que lembra recortes de papel e ilustrações infantis, com paletas vibrantes que criam origamis estilizados e objetos que contam a história simplesmente por participarem do cenário.

Na gameplay, o título equilibra exploração, resolução de quebra-cabeças ambientais e sequências de combate simplificado contra as criaturas que representam os medos do protagonista, chamados aqui de pesadelos. Figment não tem a proposta de ser difícil e por este motivo tem um level design que guia o jogador de forma orgânica, sem exigir backtracking excessivo, derrotas múltiplas ou muito tempo em puzzles, inclusive os checkpoints são bem distribuídos, evitando frustrações desnecessárias.

VEREDITO: Figment é uma aventura que equilibra bem seus pontos fortes e suas limitações, entregando uma experiência visual e sonora marcante junto de um gameplay competente. Vale a pena tanto para quem anseia por uma narrativa reflexiva, quanto para quem aprecia obras que buscam o relaxamento após um dia cheio. Ainda que não alcance a excelência em todos os seus elementos, é perceptível que Figment 2 não foi por acaso, pois contou com um padrinho que abriu o caminho para o que vemos hoje nesta maravilhosa franquia.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem