
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: Playstation
▪ Jogado em: Playstation Fat Japonês
▪ Controlador: SONY SCPH-1010
Em 2001, pedi um Playstation ao meu pai, indo pelo item mais em conta que encontrou, ele acabou comprando uma versão japonesa e ainda bloqueada. Naquele tempo, consoles tinham travas regionais, que impossibilitavam games de uma região rodar em consoles de outra. No Brasil, jogos asiáticos eram extremamente difíceis de se encontrar e quando os tinha, eram ainda em línguas asiáticas, atrapalhando completamente a gameplay. Mas felizmente, a pessoa que vendeu o console, entregou alguns jogos e um desses, particularmente me encantou: Nuclear Strike.
Neste game de 32-bits, que combina ação e estratégia e que ocupa a posição de primeiro jogo que zerei numa plataforma da SONY, é possível pilotar helicóptero de guerra, enquanto é necessário monitorar constantemente os níveis de combustível; munição e integridade da física da blindagem. Quando necessário, deve-se localizar e coletar suprimentos, afim de evitar falhas de missão, pois sem a garantia de plena operação, não é possível efetuar os objetivos determinados pelo jogo. Explicando assim parece um tanto complexo para um jogo de 1997, mas eu confirmo, é realmente isso! Pois o núcleo da jogabilidade gira em torno do gerenciamento rigoroso de recursos no campo de batalha e embora o principal veículo a ser utilizado seja o helicóptero, é possível também assumir comando de jatos, tanques e até um hovercraft, cada um com sua mecânica de jogabilidade, demonstrando que não é apenas um simples "joguinho de tiro de guerra".
Sempre considerei que a Electronic Arts tinha um nível de excelência e prestígio muito maior no passado e Nuclear Strike é uma provas imutáveis que corrobora com esta teoria, oferecendo algo muito criativo e cativante. Embora antiga e hoje pouco divulgado, "Strike" é uma franquia (Desert Strike [1992] e Jungle Strike [1993]; Urban Strike [1994] e Soviet Strike [1996]) e em comparação com seus antecessores, se analisarmos a evolução da engine gráfica, a diferença é muito notável - onde a qualidade de terrenos, detalhes estruturais e principalmente explosões, são um show à parte. Future Strike seria o próximo projeto, mas que por mudanças de planos da EA, acabou se tornando Future Cop: LAPD [1998], encerrando a franquia, pois esse sucessor espiritual, desvinculou todo o sistema de estratégia, dando espaço para um jogo de ação e tiro futurista.
A trama foca na agência secreta, que a todo custo vai às caças do Coronel LeMonde, pois ele é um potencial terrorista nuclear (A agência se chama S.T.R.I.K.E, sendo então essa premissa a origem do nome do jogo). A história é contada através de sequências de filmagem real (Similar ao que vimos na introdução do Resident Evil também do PS1), mas o uso de atores reais, junto com o gráfico 3D e ainda com a imagem um tanto pixelada, nos traz uma sensação de que tudo é organicamente um conjunto. As missões são divididas em várias etapas, mas que se alteram no decorrer da gameplay, salientando a urgência da estratégia certeira e imediata, para que o jogador perceba a pressão de uma missão militar.
Para hoje, indico a experiência alternativa, um render de alta resolução com emuladores pode ser uma boa pedida e na jogabilidade um controle analógico (Algo que na época não tive acesso, não estragou a minha gameplay, mas confesso que dificultou bastante, não tente ser um purista com o SCPH-1010, mesmo que você vá jogar no próprio PS1, opte por SCPH-1180/1200). A movimentação é algo muito positivo, pois mesmo sendo antigo, é fluída e precisa, não ficando muito atrás de jogos do gênero da atualidade, como se compararmos com Cleared Hot.
VEREDITO: Nuclear Strike é uma obra excelente com foco em combate aéreo, que visa equilibrar ação frenética com um gerenciamento estratégico de recursos, algo que inclusive impressiona pelo ano em que foi lançado. A evolução visual da franquia atinge seu ápice e também seu encerramento, mas que fazem parte dos anos de ouro da antiga EA. É uma experiência memorável, que compensa os reflexos gráficos do tempo que passou, com uma jogabilidade fluida, recompensadora e principalmente: tática.