
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Super Nintendo Baby
▪ Controlador: Nintendo SNS-005
Criança com 13 anos de idade, recém descoberto os clássicos filmes de terror, adivinha o que eu procurava no entretenimento: Gore! Eu queria bazucar, bater, moer monstros em picadinhos, trazer a fantasia dos grandes sucessos de cinema para meu controle. Na época encontrei dois títulos que me apaixonei, o Killer Instinct e o Mortal Kombat, porém o que me fez ter uma vontade imensa de ir até o fim, foi Doom Tropers.
Este é um dos run and gun mais brutais da era 16-bits, sendo um título que não tinha medo de mostrar na tela uma violência gráfica imensamente exagerada, desde que a desculpa fosse destruir inimigos da humanidade. Baseado no universo de Mutant Chronicles, (Isso mesmo, ao contrário do que muitos imaginam, este jogo não tem nenhuma relação com a franquia DOOM da id Software, é um jogo da Playmates Interactive), ele encapsula perfeitamente a estética sombria do meio dos anos 90, que como mencionei antes, eram vistos em filmes e jogos de terror e também até mesmo em gênero de ação, como o famoso Exterminador do Futuro. Isso acontece graças ao visual digitalizado em tom dark, junto com uma movimentação pesada e imponente e claro, muita violência gratuita!
A narrativa lhe conduz ao controle de Mitch Hunter (Utilizei este) ou Max Steiner, onde a missão é impedir o avanço da Legião Negra, uma horda de alienígenas e mutantes demoníacos liderada por forças malignas. Visualmente, temos aqui um Donkey Kong Country de matança, digo isso porque a tentativa de simular o 3D em um 2D é notória e incrivelmente funcional, trazendo aos personagens e cenários um aspecto mais denso e texturizado, mas sem perder o estilo sombrio da proposta.
A Nintendo costumava ser rígida com censura naquela época, mas abria exceções para games que poderiam estimular a compra por adultos, angariando vendas antes imprevistas. Com isso, tivemos em uma fita de Super Nintendo, momentos onde tiros despedaçavam os inimigos, cabeças explodiam, corpos eram cortados ao meio e o sangue espirrava para todo lado! A comprovação (na minha opinião), de que o destino de Doom Troopers era o público mais velho, foi o filtro aplicado pela desenvolvedora, algo que na época muitas crianças não compactuavam: a dificuldade extrema.
Sim, este jogo é difícil até para jogadores experientes, isto por apresentar controles que tinham certas imprecisões visivelmente propositais; fases longas e literalmente povoadas por inimigos e exigência de precisão com um controle que ainda não conhecia o sistema analógico. Mas não se engane, isso é quase um charme do jogo, principalmente para que gosta de desafios intensos (Como é meu caso) - a satisfação de avanço foi uma das maiores que tive até hoje.
VEREDITO: Doom Troopers é a personificação da atitude rebelde e visceral que definiu os anos 90, entregando uma experiência de matança desenfreada que desafiou até os padrões de censura da Nintendo. Com um visual que remete à textura dos grandes clássicos, o jogo se destaca não apenas pelo seu gore ou estética cyberpunk, mas também por sua dificuldade implacável, que transforma cada avanço em uma vitória extraordinária.