#0034 | F.E.A.R. Extraction Point (2006)


9/10 ★★★★★★★★★✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: Kit Goldship 4531

▪ Lançamento: 2006
▪ Gameplay: 2010
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Desenvolvido pela TimeGate Studios — assumindo o lugar da criadora original, Monolith Productions — esta é a primeira expansão oficial do aclamado título de tiro e terror F.E.A.R., porém vale destacar que esta obra tem seu isolamento: pois os eventos desta expansão foram posteriormente declarados não-canônicos quando a franquia foi retornada em F.E.A.R. 2: Project Origin.

A narrativa descarta qualquer salto temporal e inicia no exato milissegundo após o final do jogo base, trazendo o jogador novamente na pele do silencioso Point Man, que deve atravessar um caos urbano absoluto para alcançar um novo ponto de extração no Hospital Memorial. O roteiro abandona o foco na investigação e espionagem corporativa da Armacham, para abraçar uma jornada pautada na sobrevivência e no horror existencial. Logicamente contamos com a presença de Alma Wade, que agora vaga livremente pelas ruas, alternando entre sua forma infantil e adulta, enquanto Paxton Fettel retorna inexplicavelmente como uma entidade espectral que continua a comandar o exército de clones.

Preservando a genialidade do sistema de inteligência artificial, onde os inimigos planejam ações dinamicamente, ainda foi mantido também a brutalidade do slow-motion, mantendo a estratégica de matança do jogo anterior. Toda essa gameplay consegue ser ainda mais interessante com o uso da Minigun e a Carabina a Laser, novas armas que fatiam a geometria dos inimigos em tempo real.

O level design, a direção de arte e o design de áudio corrigiram uma das maiores críticas do título original: a monotonia visual por conta de limitações de hardware. A topografia do jogo foge dos corredores cinzentos de escritórios e leva o combate para ambientes urbanos em ruínas muito mais envolventes, incluindo até mesmo uma sombria igreja gótica, túneis abandonados de metrô e enfermarias devastadas - Locais que por si só já valem zerar este game. O motor gráfico extrai o máximo da sua iluminação volumétrica e das sombras dinâmicas, ainda vemos alguns stutterings por conta disso, mas ao menos em minha experiência senti um pouco mais de fluidez do que o primeiro título.

Infelizmente a campanha é notavelmente curta, deixando a experiência para apenas quatro à cinco horas de duração máxima, algo até comum naquele tempo, mas que pela qualidade poderia ser até o dobro de jogatina. Outro ponto notório, que talvez não caracterize como defeito, mas que era esperado por muitos jogadores, é o desvendamento de pontas soltas que o jogo anterior deixou em sua narrativa, algo que Extraction Point infelizmente não responde e deixa os mistérios profundos ainda em aberto.

VEREDITO: F.E.A.R. Extraction Point é uma expansão intensa que acerta em cheio ao corrigir a repetição visual do jogo original e leva o terror para ruínas urbanas; hospitais e igrejas, com um  combate tático em câmera lenta que funciona ainda muito bem com a ótima inteligência artificial que temos à disposição. Embora seja uma campanha curta e não responda aos mistérios da trama (sendo até deixada fora do cânone da franquia posteriormente), o foco na sobrevivência garante uma experiência recompensadora, podendo ser uma ótima pedida para uma noite de games.

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