
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405
Este jogo nos leva à magia dos contos de fadas e mesmo com um orçamento modesto, consegue trazer uma visão artística formidável, esbanjando autenticidade. Nesta obra-prima em perspectiva 2.5D, a narrativa nos transporta para um reino em ruínas, assolado por um exército de mortos-vivos, onde o destino une três heróis em busca do poderoso e misterioso artefato que dá nome à obra: o Trine. Amadeus, um mago covarde e atrapalhado, Zoya, uma ladra cínica, e Pontius, um cavaleiro extremamente corajoso, são os três protagonistas carismáticos que temos à disposição para controlar. O brilhantismo da história não está na complexidade épica do roteiro, mas sim na interação impecável entre esses três, contando com diálogos cheios de carisma e humor sutil, guiados pela voz suave de um narrador, que transforma o que poderia ser uma simples jornada heroica, em um conto de aventura com foco no companheirismo.
O visual deste jogo é gracioso, ficando inclusive distante do envelhecimento, pois tem uma formato de arte peculiar e quase atemporal. Isso graças a engine Frozenbyte, que nos traz cores vibrantes, iluminação dinâmica e cenários florestais e subterrâneos incrivelmente detalhados, que mais parecem pinturas clássicas em movimento. Por ser um jogo tecnicamente leve, a fluidez e o framerate é garantido sem travamentos, mantendo o foco da obra em explanar toda a sua beleza gráfica. No áudio, o coração da atmosfera é o clima fantástico proporcionado pelo músico Ari Pulkkinen, que mescla instrumentos clássicos com melodias místicas que grudam na mente, enquanto os efeitos sonoros do ambiente e da magia são dotados de uma clareza cristalina, elevando a imersão a níveis extraordinários.
Deixei ainda o melhor para o final: a gameplay. Trine brilha nesse quesito, tendo como destaque a sua inovadora mecânica de alternância instantânea entre os três protagonistas, exigindo que o jogador utilize as habilidades únicas de cada um. Em modo multiplayer, cada jogador pode controlar aquele caractere que tem mais facilidade para o desafio que vem à seguir, trazendo um um dinamismo e pensamento de trabalho em equipe, que não se vê em muitos jogos hoje em dia. A liberdade de jogo também merece um destaque, pois criar caixas e pranchas metálicas com a magia de Amadeus, balançar por abismos perigosos com o gancho de Zoya ou destruir paredes e hordas de esqueletos com a força bruta do escudo e espada de Pontius é algo muito prazeroso. Temos ainda controles extremamente precisos e um modo cooperativo local simplesmente impecável, fazendo-me zerar o primeiro jogo em conjunto com minha esposa, que nos garantiu horas de diversão, e claro, excelentes risadas.
VEREDITO: Trine é mais do que um simples jogo de plataforma, é um conto de fadas que não envelhece, encantando pela beleza artística e conquistando qualquer jogador pela sua excelente jogabilidade. A grande ideia de unir as habilidades de três heróis distintos transforma a exploração e os desafios em algo extremamente criativo, onde o jogador tem total liberdade para ditar o ritmo de jogo. Se ainda levar em conta o carisma absurdo e um modo cooperativo cativante, faz deste jogo uma das melhores obras que já experimentei.