#0048 | Resident Evil: Operation Raccoon City (2012)


4/10 ★★★★★✰✰✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405

▪ Lançamento: 2012
▪ Gameplay: 2012
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Este é o Resident Evil  "versão"  Gears of War, um projeto terceirizado, em que a Capcom entregou o desenvolvimento nas mãos da Slant Six Games, um estúdio ocidental conhecido por títulos de tiro tático. A ideia principal era capitalizar em cima da nostalgia dos anos 90, criando um spin-off focado quase inteiramente na ação militar em equipe. A proposta de nos colocar no controle dos vilões para limpar as evidências do surto zumbi parecia genial no papel, mas a execução entregou uma experiência muito confusa. A atmosfera de terror de sobrevivência foi totalmente descartada em favor de um shooter caótico, que ao tentar abraçar o público fã de jogos de guerra, acabou não agradando nem os veteranos da franquia e nem retendo os novatos.

A narrativa nos leva de volta ao fatídico outono de 1998, explorando o colapso de Raccoon City, mas agora por uma perspectiva diferente, onde assumimos o comando do esquadrão de elite Wolfpack, o braço armado do serviço secreto da USS (Umbrella Security Service), controlando figuras como Vector e Lupo. O que chama a atenção é a inserção de um "e se...", onde nos da uma certa liberdade de reescrever a história da franquia, tendo até opção de eliminar os protagonistas, como o icônico Leon S. Kennedy. Contudo, apesar dessa premissa de universo paralelo ser uma mecânica interessante e curiosa, o roteiro caminha para um lado completamente superficial, onde os novos protagonistas não possuem desenvolvimento algum, e os encontros com personagens e monstros clássicos acabam se tornando apenas fan-services baratos.

Não vemos a Re Engine aqui, e sim o Hexane, motor gráfico da desenvolvedora contratada, que infelizmente apresenta sérias limitações para um jogo desse estilo, onde principlamente o port para os computadores, sofre com algumas quedas de framerate (Sim, ainda hoje, com PC's modernos, temos esse problema) e eventuais bugs visuais. A direção de arte apostou em filtros sombrios pesados que muitas vezes deixavam os cenários poluídos e confusos durante a ação, atrapalhando a visibilidade, mas não de uma forma que apenas aumentava a dificuldade, mas forçando realmente a vista de quem esta na gameplay. O som se salva, o que garante quase toda a imersão do jogo - as sirenes distantes, o peso dos armamentos pesados e o ruído tático dos rádios comunicadores conseguem criar um ambiente emergente, conforme a proposta do jogo.

Ideias ousadas no gameplay estão aos montes por aqui, talvez tentando embarcar no que acreditavam que seria um sucesso: o Resident Evil 6. As fichas foram apostadas no multiplayer co-op para até quatro pessoas, tivemos também formas de agarrar zumbis para usá-los como escudos e um criativo sistema de sangramento, no qual sofrer danos atrai inimigos pelo cheiro (Esse último, eu realmente achei interessante). O problema crônico é que a base da jogabilidade falha em aspectos essenciais: o sistema de cover automático é imprevisível, não é sútil conforme a franquia da Microsoft que comparo anteriormente e isso atrapalha a movimentação, e morrer por conta de limitação de controles, é frustrante. Piorando um pouco mais, os inimigos absorvem uma quantidade excessiva de dano (os famosos "esponja") e quem decidiu encarar a campanha sozinho, tem como aliado uma inteligência artificial aliada rudimentar, que se expõe ao perigo, principalmente em momentos cruciais.

VEREDITO: Resident Evil: Operation Raccoon City tenta transformar a franquia em um jogo de tiro tático ao estilo Gears of War, mas tropeça feio na própria execução. A premissa de jogar com os vilões da Umbrella para reescrever a história até chama a atenção, sendo amparada por algumas mecânicas criativas e um áudio imersivo. Contudo, a experiência desmorona rapidamente com um sistema de cobertura frustrante, inimigos que absorvem tiros demais e um visual sombrio e poluído que cansa após certo tempo de jogo. Somando isso a uma inteligência artificial desastrosa na campanha solo e a problemas crônicos de desempenho, o resultado é um spin-off superficial, que falha tanto como terror, quanto como game de ação.

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