
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: Playstation Portable (PSP)
▪ Jogado em: PSP-3001
▪ Controlador: PSP-3001
Esta foi a "missão impossível" dita pela Ubisoft: transportar a grandiosa e complexa experiência de assassinos de mundo aberto, para a palma da mão no pequeno PSP. Sim, os camaradas da Griptonite Games, em forte colaboração com a lendária Ubisoft Montreal, conseguiram esse feito! Foi algo tão surreal quando descobri, que me fez inclusive, dar uma pausa em Assassin's Creed (O primeiro título), para me dedicar à esta incrível façanha de engenharia de software. A proposta era extremamente arriscada, considerando as conhecidas limitações de hardware do sistema portátil da Sony, mas temos aqui uma aventura que captura a essência da liberdade de exploração vertical, mantendo a clássica identidade visual e aquela inconfundível atmosfera de conspiração histórica, característica principal da franquia.
A narrativa funciona como uma ponte fundamental e direta entre o primeiro e o segundo capítulo da saga principal, preenchendo grandes lacunas temporais que eram muito aguardadas pelos fãs. Retomamos o controle do habilidoso mestre assassino Altaïr logo após a queda de seu mentor Al Mualim, em busca dos resquícios da incansável Ordem dos Templários. O roteiro explora brilhantemente o crescimento pessoal do personagem, abandonando a arrogância do passado para assumir de vez o peso do Credo, entregando discussões surpreendentemente maduras para um projeto considerado spin-off.
No visual, temos uma recriação formidável das belas cidades ensolaradas de Limassol e Kyrenia. Utilizando truques inteligentes de otimização de processamento, o título entrega um framerate razoavelmente estável, sendo forçado a sacrificar a densidade populacional nas ruas e os populares esconderijos em multidões, para focar nos imponentes modelos arquitetônicos. Apesar de tais sacrifícios, que engloba também algumas texturas, o departamento de áudio consegue de certa forma compensar a imersão, trazendo inclusive a voz original do ator Philip Shahbaz, e a mixagem primorosa envolvendo passos pesados nos telhados (Que vale dizer, tem alguma técnica de ASMR que cativa demais), ventania contínua e o bater das espadas.
O parkour esta presente e automatizado e as lutas rítmicas são adaptadas para o conjunto de botões reduzidos do console de bolso. Como não temos o segundo direcional analógico, a solução dada foi o controle de câmera através dos gatilhos, o que exigia um aprendizado extra, mas que com o tempo, se tornava algo praticamente natural. Algo que também achei interessante, foi o sistema de transferência de moedas entre o PSP e PS3, através de conexão USB, permitindo mesclar recursos deste game, com o Assassin's Creed II (Que para mim não foi funcional, pois zerei este no PC).
VEREDITO: Assassin's Creed: Bloodlines é um milagre técnico que traduz a essência da franquia para o portátil da SONY, mas o grande mérito da obra esta em trazer uma narrativa que conta com uma evolução madura e de grande peso para a história de Altaïr. As ruas mais vazias e a adaptação forçada da câmera nos gatilhos, são sacrifícios justos e compensados pela qualidade sonora e a retratação arquitetônica que o game nos oferece.