
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: Kit Microsoft Wirelles 1000
Infinity Ward propôs à Activision: "Chega de Segunda Guerra Mundial, vamos modernizar a IP !" e foi assim que tivemos a construção de conflitos fictícios nos tempos modernos, que impressionaram jogadores ao redor do globo e foi responsável pela criação de um dos maiores nomes do gênero shooter. Essa mudança de paradigma influenciou todo o mercado, devido à entrega de uma experiência tão intensa e refinada, que até nos dias atuais garante o sucesso inabalável da franquia.
A narrativa apresenta uma campanha impecável e de ritmo cinematográfico que divide a perspectiva do jogador entre diferentes frentes militares. Acompanhamos as missões furtivas e cirúrgicas do sargento Soap e do icônico Capitão Price pelo Serviço Aéreo Especial Britânico, e a guerra em larga escala do sargento Paul Jackson pelo Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos. O roteiro se embasa numa rede de terrorismo global arquitetada pelo antagonista Imran Zakhaev e o seu aliado Khaled Al-Asad. O grande trunfo da história são os momentos chocantes e inovadores que marcaram a época, como a visceral e assustadora detonação de uma bomba nuclear vista em primeira pessoa e a inesquecível missão de furtividade em uma Pripyat radioativa na Ucrânia, provando que o game sabia mesclar perfeitamente tiroteios frenéticos com construção de atmosfera que eleva a tensão.
O projeto representou um salto gigantesco em gráficos, isso graças ao excelente uso da engine IW 3.0, criada internamente pelo próprio estúdio contratado. A tecnologia permitiu uma física de balística aprimorada, em que os tiros podiam perfurar diferentes tipos de materiais, como madeira e gesso fino, adicionando uma nova camada tática aos confrontos. A otimização foi primorosa e garantiu um framerate extremamente fluido, mesmo em consoles ou computadores modestos. Mesmo assim, acompanhava texturas detalhadas, iluminação dinâmica e efeitos de fumaça impressionantes para a época. No áudio, a equipe viajou para o deserto e gravou os estampidos reais de diversas armas modernas, criando uma mixagem de som ultra realista. Na trilha sonora temos a composição épica desenvolvida pelo aclamado Harry Gregson-Williams, que se uni aos estrondos de artilharia e geram uma imersão sensorial avassaladora.
E chegamos na parte em que mais fiquei impressionado: a gameplay. É a perfeição em um jogo de FPS, tendo sistema de controles que são replicados até nas versões atuais e também em outros títulos concorrentes, ou seja, vimos o surgimento de um novo padrão. A mecânica de olhar de forma rápida pelas miras de ferro das armas é o que mais me marcou na época. E mesmo com uma campanha fenomenal, onde realmente MW brilha, é no modo multiplayer. O título introduziu o viciante sistema de progressão por pontos de experiência, no qual os jogadores subiam de nível para desbloquear novos armamentos e criar suas próprias classes personalizadas. A adição do sistema de perks, que concedia vantagens passivas como maior velocidade ou recarga rápida, somada às recompensas por sequência de baixas, mudaram o cenário competitivo para sempre. Chamar um radar de localização, ordenar um ataque aéreo e invocar um helicóptero de suporte ao conseguir eliminações consecutivas, gerou um ciclo de jogabilidade tão recompensador, que simplesmente viciou todo mundo!
VEREDITO: Call of Duty 4: Modern Warfare é o divisor de águas que redefiniu o padrão da indústria para o gênero, pois entrega uma campanha cinematográfica impecável, eternizada por missões de furtividade imersivas e eventos narrativos chocantes. Amparado por uma física balística tática e um áudio impecável, seu maior legado reside na revolução absoluta do seu multiplayer. A introdução da progressão por experiência, classes customizáveis e o viciante sistema de recompensas por sequências de baixas, criou uma fórmula perfeita e atemporal.