
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405
Para mim este jogo foi o responsável por ressuscitar o gênero survival horror, devido ao seu impacto gigantesco na indústria, prometendo e trazendo uma qualidade extrema em todos os quesitos. Desenvolvido pela Visceral Games (Sim, os mesmo criadores do aclamado Dante's Inferno), este projeto nasceu com a premissa ambiciosa de ser a experiência mais assustadora já criada na indústria, abusando de cenas claustrofóbicas e focando numa tensão atmosférica que enfatiza no terror espacial. Com isso, tivemos uma narrativa que nos lança nas profundezas frias e isoladas da escuridão do universo, colocando o jogador na pele do silencioso engenheiro de sistemas Isaac Clarke, que tem sua aventura acompanhada por uma pequena equipe de resgate. Ao atender o pedido de socorro da colossal nave mineradora USG Ishimura, nosso protagonista é motivado ao resgate, principalmente de sua namorada Nicole Brennan. O roteiro brilha ao construir um universo rico e muito sombrio, introduzindo curiosidades e conceitos fascinantes, como a seita religiosa fanática chamada Unitology e o misterioso artefato alienígena conhecido apenas como Marker. Obviamente, como todo jogo do gênero, temos inimigos grotescos prontos para nos aniquilar, aqui chamados de Necromorphs, que são criaturas alienígenas com aspecto retorcido e que agem de forma quase inteligente, mas que avançam quase que por uma espécie de instinto, afim de matar qualquer ser vivo que encontre pela frente.
Criando cenários industriais sujos, metálicos e repletos de marcas de sangue - que transmitem uma sensação constante de abandono - Dead Space nos deixa completamente imersos em suas incríveis fotografias horripilantes e ao mesmo tempo magníficas. Apoiando ainda mais, temos o uso dinâmico da iluminação e sombras, que sozinhas já conseguem um bocado de jump scare, até dos mais valentes jogadores. O gráfico, mesmo absurdo para a época, consegue uma amostragem altíssima, pois a engine é utilizada de forma muito bem otimizada, conseguindo com facilidade a estabilidade necessária para evitar possíveis quebras de clima durante a jogatina. Mas, o coração pulsante do medo reside no trabalho de áudio assombroso, eu arrisco dizer que seria a melhor área dessa obra, onde o diretor de áudio Don Veca revolucionou o setor, nos trazendo um sistema inteligente, que gera ruídos aleatórios nos dutos de ventilação da nave, mesclando sussurros esquizofrênicos, gritos arrepiantes dos monstros e ainda a respiração ofegante de Isaac, gerando uma imersão sensorial inacreditável, algo que só vi parecida na versão remake deste mesmo jogo.
A gameplay foi também outra inovação, com mecânicas brilhantes, que mudaram para sempre a forma como interagimos com os cenários no mundo dos games. O maior impacto estrutural foi a completa ausência de menus visuais clássicos, que em sua maioria poluem a tela. Neste jogo, temos uma interface totalmente alinhada ao visual do próprio jogo, onde a barra de vida fica brilhando fisicamente na espinha do traje do personagem e todos os inventários e mapas são projetados como hologramas flutuantes no próprio mundo, corroborando ainda mais para o realismo da temática que a direção de arte procura atingir. No combate, não temos apenas o velho clichê de jogos de tiro, isso devido ao sistema de desmembramento tático, que utiliza as armas de forma estratégica para cortar os braços e pernas dos monstos, alterando diretamente a mobilidade e reações dos inimigos. Temos ainda os poderes tecnológicos de telecinese ou levitação, que nos permite arremessar objetos pesados e desacelerar inimigos velozes.
VEREDITO: Dead Space estabeleceu um novo paradigma para o survival horror, ressuscitando o gênero por meio de uma engenharia de imersão e terror atmosférico que até hoje brilha ao ser jogado. Esta obra consegue romper com clichês tradicionais, substituindo a interface poluída por um HUD totalmente integrado ao traje do protagonista e introduzindo a genial mecânica de desmembramento tático no combate. Sustentado por uma direção de arte claustrofóbica e pelo trabalho de áudio revolucionário, este título ainda transforma o silêncio do espaço em uma melodia aterrorizante e se consagra como um dos melhores jogos de terror e também, ficção científica.