
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 3800X + RX 6700XT)
▪ Controlador: 8bitDo Ultimate 2.4G
Não joguei este game como um novato na franquia, pois à alguns anos zerei a trilogia, me impressionando muito com os dois primeiros e me decepcionando um pouco com o terceiro, mas me tornando um fã deste survivor horror que foi um dos responsáveis pela ressucitação do gênero (Clique aqui para ver as outras reviews). Quando vi imagens deste remake, exibindo gráficos espetaculares, logo adicionei ele em uma posição alta no meu backlog, conseguindo jogar em um ano depois de seu lançamento. O que eu esperava aconteceu em boa parte, pois poucas remasterizações conseguiram equilibrar tão bem a fidelidade com o jogo original e a reinvenção e adaptação às novas condições modernas atuais, como vemos neste novo e reformulado Dead Space. A Motive conseguiu reconstruir praticamente tudo do zero, mas que talvez por falha de marketing, não tenha vendido o suficiente para uma continuação (Segundo a EA, é claro), mas que ainda assim fico na esperança de acontecer, pois afinal, aos fãs principalmente (como eu), este jogo agradou muito!
A narrativa acompanha o icônico Isaac Clarke em sua missão para reparar a nave mineradora Ishimura, ao mesmo tempo em que parte na busca de sua namorada Nicole, enquanto criaturas conhecidas como Necromorfos dizimam a tripulação. Este título conseguiu adicionar camadas que caracterizam e até mesmo humanizam mais o nosso protagonista, que agora ganha voz própria, expondo o desespero também com suas falas carregadas de fortes emoções. Mas os diálogos não comprometem o clima tenso do jogo, muito pelo contrário, achei a carga dramática superior, que nos faz importar de verdade com os personagens.
A reconstrução visual da Ishimura me impressionou drasticamente, embora em determinados locais eu tenha esbarrado com algo que sou crítico ferrenho: as paredes invisíveis, que atrapalham um pouco a imersão em áreas externas, mas que felizmente não estão presentes pelos corredores sombrios do jogo. A atmosfera, como já seria de se imaginar, apela para a claustrofobia, terror psicológico, sensação de perigo constante e até mesmo pequenos sustos devidos às sombras mais realistas com o novo sistema de iluminação. Notei que os momentos contemplativos são mais frequentes, o que nos faz esquecer do medo por um breve período de tempo, sendo esses os principais momentos de jumps scare do jogo, muito bem alocados na minha opinião.
Manter a trilha sonora, composta por Jason Graves, é simplesmente uma forma de respeito à criação original, e as cenas adicionais ou momentos modificados, são amplamente complementados por Trevor Gureckis, que fez um trabalho incrível, criando essa fusão sonora que preserva a dissonância orquestral característica da franquia, enquanto adiciona notas mais modernas de música eletrônica. É um equilíbrio perfeito entre nostalgia e renovação, que se estende também aos efeitos sonoros, que a todo momento buscam e intensificam a tensão, principalmente na exploração em novos locais, trazendo uma ansiedade que caminha no muro entre medo e prevenção - Andar por corredores de metais enquanto os únicos sons são de seu passo e grunidos bem baixos ao fundo, é uma experiência que diferencia um jogo de um filme de terror.
A jogabilidade mantém o sistema de desmembramento estratégico que consagrou a série, agora aprimorado por animações ainda mais viscerais e uma física de combate mais responsiva, pois as criaturas se comportam de uma maneira mais condizente com o realismo quando são literalmente fatiadas pela arma à laser. O sistema de progressão e customização recebe ajustes que tornam a experiência ligeiramente menos linear, incentivando revisitar áreas já exploradas com as novas habilidades, mas não obrigando o jogador, pois é perfeitamente possível zerar sem necessidade de rollbacks constantes.
Aqui temos um jogo da família EA, bem construído em suas animações e cinemáticas, mas que ainda assim consegue ter um desempenho como se estivessemos jogando um FIFA, é realmente impressionante a otimização da engine Frostbite, que conseguiu se manter estável, mesmo eu vendo em minha tela um espetáculo de design artístico, gráficos estupendos e tudo rodando no ultra em 4K.
VEREDITO: Dead Space entrega uma reconstrução respeitosa e tecnicamente competente de um clássico do terror espacial, unindo atmosfera opressiva, trilha sonora refinada e melhorias mecânicas relevantes sem perder a essência que consagrou a obra original. Trata se de um trabalho sólido, que acerta ao expandir sutilmente a narrativa e ao modernizar aspectos técnicos fundamentais, resultando em uma experiência de terror recomendável tanto para veteranos da franquia, quanto para jogadores que nunca tiveram a oportunidade de visitar a Ishimura anteriormente.