
6/10 ★★★★★★✰✰✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405
Obviamente eu estava com as expectativas num patamar altíssimo para este jogo, isso graças ao histórico excelente que pude experenciar nas edições anteriores, mas que infelizmente aqui não foi atendida. Esta minha insatisfação já acontece na origem deste projeto, pois este terceiro capítulo chegou marcado por uma história que a indústria já conhece bem: uma publicadora pressionando por números maiores, não era mais a arte no comando, eram cifras. O resultado é um jogo que funciona até certo ponto, porém se perde no desenvolvimento narrativo, parecendo mais um spin-off do que um jogo numerado.
A história coloca Isaac Clarke saindo de um retiro involuntário após o término de seu relacionamento com Ellie e sendo recrutado por forças que restaram do EarthGov para investigar o planeta gelado de Tau Volantis, onde aparentemente reside a origem definitiva da praga dos Necromorphs. Descrevendo assim parece ser um roteiro incrível e principalmente ambicioso, pois se tem o objetivo claro de encerrar o arco dos Markers e dar uma conclusão épica à saga. O problema é que épico e aterrorizante raramente convivem bem, e este jogo escolhe o primeiro sem negociar com o segundo. Isaac deixa de ser o engenheiro assombrado que sustentava a tensão dramática dos jogos anteriores e acaba por se tornar um herói de ação com frases de efeito, e a introdução de John Carver como companheiro dilui ainda mais qualquer senso de isolamento que a série havia cultivado com tanto cuidado.
Os segmentos em naves abandonadas em órbita ao redor de Tau Volantis, na minha concepção é o ponto mais alto em termos de visual do jogo, com corredores escuros e claustrofóbicos que resgatam sutilmente a atmosfera dos predecessores. Porém, quando a câmera se abre para as planícies nevadas do planeta, toda a identidade visual se altera, deixando o âmbito survivor horror e passando a ser mais um genérico espacial. A trilha sonora tenta manter a proposta de trabalhos anteriores, pois temos novamente o compositor Jason Graves com arranjos orquestrais que buscam manter a tensão do game, mas que são por vezes abafados, pela adição de músicas focadas em ação, com a participação de James Hannigan nestas faixas - Este que é competente ao que foi encomendado, porém que foge completamente da proposta da franquia, o erro aqui não é artístico, é de planejamento e tomadas de decisões.
A jogabilidade é onde o jogo mais se afasta de seus antecessores e onde a pressão da Electronic Arts fica mais evidente. O sistema de crafting de armas é a grande novidade mecânica e tem profundidade real, que até achei interessante pela capacidade inventiva que dá ao jogador. O co-op com entrada e saída sem interrupção funciona tecnicamente bem e adiciona camadas de diálogo exclusivas que expandem a história de Carver. O que se perde então nessa transação é o peso da sobrevivência em meio ao terror, pois a escassez de recursos agora da espaço para a abundância de materiais e munições. Obviamente isso esvazia o risco, nos tira a sensação de medo, e a presença constante de inimigos humanos armados transforma trechos inteiros da campanha num shooter convencional, onde os Necromorphs parecem visitas ocasionais em vez de ameaça central. As microtransações implementadas pela EA para agilizar a coleta de materiais são completamente desnecessárias, ainda que não bloqueiem o progresso de quem opta por ignorá-las, torna o jogo parecido com títulos de celulares e retiram quase que totalmente o brilho do sistema de crafting que mencionei anteriormente.
VEREDITO: Dead Space 3 é um jogo razoável que falhou em ser o que deveria. Carrega o fardo de uma franquia excepcionalmente bem construída, mas trocou a tensão psicológica que definia a série, por uma fórmula de ação comercialmente calculada, decaindo muito no aspecto artístico. Para quem chega sem expectativas ligadas aos originais, existe ainda um certo entretenimento sem viés, mas que ainda assim desanima pelo erro de inclusão de microtransações em um projeto de narrativa focada em single-player e co-op. Agora para o fã que viveu Ishimura e Sprawl segurando a respiração, Tau Volantis vai soar como território amigável demais, sem peso narrativo e principalmente, desconexo à franquia.