#0062 | DMC: Devil My Cry (2013)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405

▪ Lançamento: 2013
▪ Gameplay: 2013
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Este reboot (ou não, isso hoje em dia é discutível) de Devil May Cry, é uma daquelas boas surpresas que gosto de jogar logo no lançamento, ainda mais pelo barulho que este título fez em toda a indústria. A Capcom optou aqui em entregar a franquia às mãos da Ninja Theory, estúdio na época conhecido por Heavenly Sword e Enslaved e que posteriormente faria sucesso com Hellblade. Logo quando lançaram o trailer, muitos fãs reclamaram da nova aparência de Dante e com o abandono da continuidade estabelecida pelos quatro jogos anteriores, uma avaliação emocional que na minha opinião degradou um excelente jogo, pois me diverti muito em DMC.

A narrativa se passa em Limbo City, uma metrópole contemporânea controlada nas sombras pelo rei demoníaco Mundus, que mantém a humanidade domesticada por meio de dívidas, mídia manipulada e refrigerantes literalmente envenenados. Dante, filho híbrido do demônio Sparda e de um ser angelical, é recrutado por seu irmão Vergil e pela clarividente Kat, para desmantelar o império do vilão a partir de dentro. A atualização dos personagens funciona melhor do que muitos imaginam e percebi uma relação genuína entre Dante e Vergil, algo que me agradou, mesmo já tendo experiência com outros jogos da franquia - embora ainda não os tenha zerado, até então. 

Para conseguir curtir esse game, basta imaginar como numa história em quadrinho, de que este é outro universo, com outra versão de Dante. Partindo desse pressuposto, esta dimensão paralela que se sobrepõe ao mundo real e se manifesta como uma arquitetura viva e hostil, se reconstrói ao redor do jogador, graças à excelente direção de arte. Os corredores e plataformas se deformam e colapsam em tempo real enquanto o combate acontece, ver isso numa tela grande é realmente impressionante e salientado ainda mais pela paleta visual saturada e agressiva. A trilha sonora ficou a cargo de duas forças distintas: o coletivo holandês de drum and bass e neurofunk Noisia, responsável pelas composições instrumentais e de ambientação, e a banda de industrial rock Combichrist, comandada por Andy LaPlegua, que assina as faixas de combate mais pesadas, que particularmente gostei mais.

Na jogabilidade, temos um destaque para o sistema de troca entre armas angelicais e demoníacas, alternadas em tempo real por meio dos gatilhos durante o combate. Essa troca funciona de forma fluida e que recompensa a experimentação e profundidade, isto claro, para quem decide dominar o sistema além do nível básico. Os inimigos foram projetados com cores que sinalizam qual tipo de arma os afeta, o que resulta numa leitura tática do campo de batalha que mantém o jogador ativo e engajado. Ainda assim, é notória a redução do teto de complexidade e consequentemente de dificuldade neste game, que fica com uma gameplay sólida, porém só dele, se distanciando muito da precisão dos jogos originais.

VEREDITO: DmC: Devil May Cry é título corajoso, que pagou um preço de reputação desnecessário e desproporcional ao produto que entregou, sendo mais bem realizado na maioria de seus departamentos do que a memória coletiva costuma reconhecer. A direção de arte, a trilha sonora e o sistema de combate fluido e generoso em possibilidades, fazem dele uma experiência sólida e estilisticamente marcante, sendo mais do que apenas uma versão genérica de Dante.

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