#0072 | Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots (2008)


10/10 ★★★★★★★★★★

▪ Versão: Playstation 3
▪ Jogado em: Playstation 3 Slim
▪ Controlador: SONY DualShock 3

▪ Lançamento: 2008
▪ Gameplay: 2013
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Ainda da época em que Hideo Kojima firmava parceria com a Konami e logo no começo em que eu adquiri o Playstation 3, dei uma chance para MGS4 por recomendação de amigos e acabei viciado em um game que impressiona tanto pela narrativa, quanto pela jogabilidade. Com cutscenes detalhadas, mecânicas inovadoras de stealth e um jogo que abraça tanto novos jogadores, como convence veteranos da franquia, temos uma aventura longa e sem pressa que gira em torno de Solid Snake, sem deixar de trazer profundidade para personagens secundários.

A trama acontece em mundo devastado pela guerra privatizada, onde companhias militares controlam conflitos ao redor do mundo, e coloca um Snake envelhecido e fisicamente deteriorado numa última missão contra Liquid Ocelot. O roteiro amarra com maestria os fios deixados por praticamente toda a franquia, revisitando personagens como Otacon, Meryl e Raiden, e trata com sensibilidade temas como legado, mortalidade e o peso das escolhas feitas. Há um cuidado evidente em oferecer não apenas fechamento, mas também profundidade emocional e recapitulação conforme a história avança, o que me ajudou muito a me situar na história ali contada, mesmo sem zerar os jogos anteriores. Kojima é detalhista aqui, oferecendo uma narrativa que segue um ritmo suave, mas sem perder o engajamento, onde mesmo em cinemáticas longas - podendo até mesmo ultrapassar uma hora! - consegue oferecer uma experiência marcante, que ainda caminha fresca em minha memória.

A coesão entre trilha e atmosfera ambiental é realmente uma das melhores que já vi, graças à composição de Harry Gregson-Williams, que equilibra momentos de tensão extrema com passagens intimistas, reforçando o tom dramático sem nunca soar exagerado. Além disso, faixas licenciadas estão no jogo e acessíveis através do IPOD de Snake, permitindo que o jogador selecione a melhor trilha para a ocasião em que se encontra, aumentando ainda mais a imersão. A identidade artística da franquia é muito única, contando com uma direção de fotografia que gera cenas cinematográficas com forte influência de composição oriental, com destaque para momentos de ação que me lembrava o sistema de ângulos de câmeras utilizado no anime Akira. A paleta de cores se mantém entre um cinza e verde mesclado, arremetendo talvez ao uniforme de soldados e fundamentando uma característica mais adulta com o clímax de guerra.

Para a época, este título praticava o auge da fórmula de stealth, consolidando a franquia como referência no mercado e trazendo mecânicas icônicas, como o sistema octocamo (camuflagem), variedade de armas e gadgets (para armadilhas e observação) e confrontos diretos que, quando necessários, brilhavam tanto quanto a furtividade. Os cenários mudam de continente para continente, cada um com identidade própria, influenciando também os embates, principalmente com a alternância de climas ou noite/dia.

VEREDITO: Metal Gear Solid 4: Guns of the Patriots é um dos melhores games que já zerei, sendo daqueles que justificam plenamente sua reputação como um dos pontos altos da geração do Playstation 3 e que consegue, através de sua narrativa madura, direção artística refinada e gameplay precisa, resultar em uma obra que transcende o entretenimento comum, que funciona como experiência mais autoral, trazendo uma identidade única para a franquia.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem