
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405
Quando criança tive oportunidade de jogar um pouco do Hitman: Blood Money através de uma demo promocional em um daqueles packs da CD Expert, achei o game incrível e fiquei por anos com ele na cabeça, prometendo a mim mesmo que um dia iria zerar algum título desta franquia. Isso se realizou uns 6 anos depois, com o lançamento de Hitman Absolution, um jogo da IO Interactive, que mesmo já sendo o quinto capítulo da saga, era muito convidativo para novos jogadores. O que me chamou muita atenção, foi também a mudança de proposta, onde mesmo mantendo a essência do assassino "programado", os desenvolvedores optaram por trocar parte da liberdade explorativa, por uma proposta mais cinematográfica e linear, mas que mantém seus momentos icônicos de furtividade.
A trama acompanha o protagonista em uma missão pessoal e não designada, algo que quase não acontece nos outros jogos, mas desta vez vemos um Agente 47 protetor. Partimos então em busca de salvar a jovem Victoria, que vem sendo perseguida pelo seu antigo empregador, a Agência. Esta decisão coloca o protagonista na condição de fugitivo, criando uma proposta de enredo nova, que juntamente com a decisão de linearidade e também com as icônicas cutscenes, acaba por aproximar muito esta obra à um thriller de ação. Mesmo assim, a frieza calculista ainda existe, mesmo que os silêncios do jogo sejam menores e os diálogos mais expositivos - é uma mudança que cai bem na minha opinião, mas que pode sim incomodar muitos que contemplavam mais a ambiguidade moral típica desta séria, pois o suspense diminui bastante.
A decisão de romper com Jesper Kyd - compositor que acompanhava a franquia desde seus primórdios - substituindo-o por uma nova equipe sonora, dividiu opiniões na época, mas em minha experiência de gameplay, não senti que Thomas Bärtschi ficou devendo em algo, pois a aposta em composições eletrônicas e temas de tensão, reforçaram bem o clímax do game. Temos ainda os efeitos de som muito bem projetados, que aliados ao motor gráfico Glacier 2, completam a imersão. A entrega cenários urbanos é realmente incrível, pois são muito bem trabalhados, com um destaque forte para os ambientes internos que esbanjam detalhes, onde o envelhecimento do game só é notado pelas expressões faciais, algo que já na época tínhamos títulos muito mais avançados neste setor.
Na jogabilidade, como mencionei antes, temos forte presença de ações com foco na furtividade, preservando desta vez o núcleo central da série e permitindo inclusive o uso de disfarces, distrações e eliminações silenciosas - Mas se algo der errado, a ação direta ainda é uma opção. Os controles respondem bem, tanto no combate corpo a corpo quanto nas sequências de tiro, deixando o tudo muito dinâmico e intuitivo, o que pode também deixar o player "imortal", pois com pouco tempo de jogo o domínio se torna completo.
VEREDITO: Hitman Absolution é uma reinvenção corajosa que privilegia o espetáculo cinematográfico em detrimento da liberdade sandbox característica da franquia, entregando uma experiência competente tanto na condução da história quanto nos momentos de tensão furtiva e sacrificando pouco da identidade fria do protagonista enquanto o transforma em mais humano.