
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: Playstation Portable
▪ Jogado em: PSP-3001
▪ Controlador: PSP-3001
Nos anos 2000 minha madrinha tinha uma revistaria dentro de um mercado, por vezes eu ficava lá e aproveitava para ir na casa de jogos dentro do mesmo estabelecimento, que continha diversos fliperamas icônicos, dos quais os que mais me divertiam eram Daytona USA (um clássico de corrida estilo Nascar) e claro, esta versão do Street Fighter. Porém, eu ainda novato, acabei nunca zerando este game na base das fichas, vindo a acontecer somente em 2013 na versão portátil, o que me trouxe um forte efeito de nostalgia, por retornar à obra quase uma década depois. Por isso a comparação era inevitável, mas no geral achei excelente o port da Capcom, tendo profundo respeito à obra original, buscando uma otimização técnica que beira à excelência e ainda adicionando personagens exclusivos para despertar interesse do jogadores: Eagle e Yun.
Ambientado no universo que conecta os acontecimentos entre os dois primeiros títulos numerados, o jogo aprofunda as motivações pessoais de figuras icônicas como Ryu, Chun-Li e M. Bison, através do clássico modo World Tour, que funciona quase como uma campanha própria de evolução e descoberta progressiva. Essa estrutura narrativa é muito bem apoiada por finais individuais (que fiz questão de visitar praticamente todos) e interações específicas entre os lutadores, construindo assim um sistema coeso na forma de se contar uma história, mesmo para um gênero com foco principal nas mecânicas e dinâmicas de luta e não propriamente em enredo.
O traço característico da era Alpha, com sprites expressivos e animações fluidas que lembram animes japoneses clássicos, se mantém neste título de uma maneira impecável, exibindo realmente toda a vibrante qualidade de cores da tela do PSP. A trilha sonora, liderada por Yuki Iwai, equilibra temas eletrônicos marcantes com arranjos que remetem à identidade sonora tradicional da franquia, criando uma ambientação enérgica perfeitamente alinhada ao ritmo acelerado dos combates, salientado pelo estilo visual marcante das onomatopeias dos golpes falados que tanto amamos.
A jogabilidade se beneficia bastante do sistema Ism, mecânica estratégica que permite escolher entre três estilos distintos de combate antes de cada partida, algo comum nos jogos atuais, mas muito à frente de seu tempo para aquela época. A precisão dos comandos é impressionante, diria que quase milimétrica, pois tive um senso de resposta muito superior ao que vi anteriormente nos fliperamas, com golpes que saíam com mais facilidade, permitindo encaixar mais acertos simultâneos de combos e especiais devastadores.
VEREDITO: Street Fighter Alpha 3 MAX é uma adaptação exemplar que consegue unificar toda a grandiosidade de um clássico absoluto dos jogos de luta dentro dos limites de um portátil, sem sacrificar profundidade ou identidade. A combinação entre um elenco vastíssimo, um sistema de combate versátil e conteúdo adicional relevante, resultou em uma experiência que me agradou muito e me fez lembrar do motivo que eu gostava tanto deste game nos fliperamas.