
6/10 ★★★★★★✰✰✰✰
▪ Versão: Playstation 3
▪ Jogado em: Playstation 3 Slim
▪ Controlador: SONY DualShock 3
Quando fui ao Shopping comprar mais jogos para meu Playstation 3 e me deparei com o símbolo da Naughty Dog em um disco com capa que lembrava Tomb Rider, mas que partia dos mesmos desenvolvedores de Crash Bandicoot e Jak and Daxter, confesso que fiquei muito intrigado com a mudança total de estilo, e por isso Uncharted: Drake's Fortune veio para minha sacola de compras pela simples curiosidade. Nathan Drake surgia então de forma modesta, com uma história até simples, e por vezes clichê, lembrando narrativas clássicas de Hollywood, onde um jovem caçador de recompensas parte em busca de um lendário tesouro, no caso aqui, o El Dorado.
Para tal, embarcamos em uma aventura à uma ilha remota, acompanhado pela jornalista Elena Fisher e o veterano (mas não tão esperto) Victor Sullivan - Personagens que neste game conseguem ter um carisma mais elevado do que nosso próprio protagonista. A narrativa aposta em um tom leve e aventureiro, como nas aventuras de Indiana Jones, com diálogos que buscam construir uma química entre os personagens, mesmo que o enredo siga numa estrutura relativamente previsível. Ainda assim, encontramos vez ou outra algumas reviravoltas que tentam engajar, mas que raramente surpreendem de verdade. O ritmo, apesar de funcional na maior parte do tempo, apresenta quedas perceptíveis no terço final, quando a trama migra para um tom sobrenatural que foge muito da abordagem inicial.
Os gráficos eram de transições, parecendo uma espécie de "Playstation 2,5", mas que já impressionavam devido aos cenários em ambientes tropicais muito bem construídos e que funcionavam bem com os detalhes da vegetação e sistema de iluminação. Esses gráficos mais singelos garantiram uma execução muito fluida na maior parte do tempo, mas que infelizmente ainda apresentava quedas pontuais de fps em momentos com mais elementos em tela.
Afim de trazer uma melhor imersão ao clima de exploração, a trilha sonora de Greg Edmonson, entrega composições orquestrais que sempre buscam o espírito de aventura clássica, mas sem conseguir (ao menos comigo) se tornar algo memorável. Isso fica ainda mais evidente quando os desing de som genérico entra em ação, pois neste primeiro episódio da série, o jogo sempre te lembra que é um jogo, exibindo sons opacos, repetitivos e sem muita personalidade ou qualidade técnica.
A gameplay também caminha por este lado, com um sistema de tiroteio com cobertura funcional, mas nada que realmente esteja no mesmo nível dos títulos posteriores. A mira quase sempre apresenta imprecisões, a cobertura por vezes não funciona e o inimigos basicamente só atiram aleatoriamente, sem apresentar táticas de batalhas coerentes, deixando o jogo um tanto fácil. A quantidade elevada de confrontos consecutivos acaba também por quebrar o ritmo de exploração, que inicialmente parecia ser o centro da experiência, mas que no avanço do jogo vai perdendo o foco. As seções de plataforma, embora visualmente agradáveis, pecam pela linearidade excessiva, fazendo me sentir guiado o tempo todo, sem liberdade para improvisos ou escolha de formato de jogabilidade.
VEREDITO: Uncharted: Drake's Fortune é uma estreia demonstrava potencial, principalmente na construção de personagens e ambientações visualmente bonitas e interessantes, mas que peca no formato de gameplay, apresentando falhas pontuais que impedem a experiência de alcançar todo o seu potencial. Entre acertos na caracterização da atmosfera do jogo e tropeços em um design de combate ainda pouco refinado, o resultado é um título mediano que funciona melhor como base para o que a franquia viria a se tornar do que como uma obra plenamente bem fundamentada.