#0126 | Atomic Heart (2023)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 3800X + RX 6700XT)
▪ Controlador: 8bitDo Ultimate 2.4G

▪ Lançamento: 2023
▪ Gameplay: 2024
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Atomic Heart é uma visão delirante e ambiciosa de uma União Soviética alternativa, onde o avanço da robótica e da tecnologia neuro-industrial criou uma utopia que se transformou rapidamente em um pesadelo retro-futurista. Este título da Mundfish se destaca pela sua direção de arte que logo pelos trailers já me chamaram a atenção, pois consegue ao mesmo tempo ser nostálgica, sci-fi e perturbadora. É evidente a inspiração em séries como BioShock (Principalmente o Infinite) e DOOM, apresentando um mundo rico em detalhes cheio de ação frenética na brutalista soviética.

A narrativa mergulha em uma trama de conspiração e inteligência artificial, onde o jogador assume o papel do agente P-3, enviado para conter uma falha crítica na instalação científica Facility 3826. No decorrer da trama, temos momentos de revelação, instiga à curiosidade, plots e até mesmo alívios cômicos. A dublagem nacional contruibui fortemente no dinamismo dos diálogos, pois é um absurdo a qualidade que temos nesse jogo, com destaque para Raphael Rossatto no papel principal, que conseguiu adaptar até mesmo piadas e gírias.

A gameplay nos traz uma inovação que reside na integração dos poderes de uma luva polimérica com o combate convencional em primeira pessoa, que mistura corpo à corpo com armas de fogo. A capacidade de manipular eletricidade, telecinese e gelo, combinada com um sistema de crafting de armas altamente customizáveis, oferece uma profundidade tática que permite ao jogador adaptar o seu estilo de luta conforme desejar, fomentando a rejogabilidade. O equilíbrio de momentos de combate frenético com seções de exploração funcionam bem, porém enfraquece um pouco na qualidade nos ambientes abertos, um mundo que basicamente é lotado de câmeras, com locais na maioria das vezes vazio e sem realmente estimular a exploração.

Mesmo com o uso extensivo de tecnologias modernas de iluminação e reflexos, que tornam os ambientes tecnológicos extremamente realistas, Atomic Heart consegue ter um desempenho muito satisfatório, onde numa GPU voltada para 2K, eu consegui manter frames estáveis mesmo em 4K. No som senti um pouco de falta de ambientação, talvez abafadas muitas vezes pela músicas eletrônicas frenéticas do game, remixadas com a intenção de trazer movimentos à cena. Nos detalhes sonoros, temos tilintares de metais, explosões e tiros muito bem capitados e responsivos, enfatizando o som dos robôs e garantindo assim uma experiência intensa.

VEREDITO: Atomic Heart é um título ambicioso e visualmente estonteante, que brilha nos seus níveis lineares e fechados, onde o combate e a atmosfera operam em sincronia e ainda com um grande destaque à dublagem brasileira. Com inimigos rôbos bizarros e complexos, estabelece um sistema de lutas que mistura o pesado uso de poderes elementais, juntamente com armas de fogo e branca, proporcionando embates versáteis e muito divertidos. Este título entrega uma experiência única, visceral e visualmente memorável que reafirma o potencial de novas desenvolvedoras para criar mundos que desafiam as expectativas dos jogadores.

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