
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Confesso que estava receoso com esse projeto, pois o hype em cima do primeiro jogo após a reformulação da franquia foi tão grande, que notei que muitos dos problemas contidos nele foram ignorados pelos fãs, o que me fez pensar que eles poderiam aparecer em Ragnarok e talvez pior, serem agravados. Em partes eu não estava errado, pois realmente notei a repetição de uma fórmula que trazia consigo os seus vícios, mas por outro lado, também conseguiram salientar aquilo que tinha de bom, como a evolução gráfica e melhoria em captura de imagens, que melhorou significativamente a expressão facial dos personagens.
A história acompanha diretamente o final do título anterior, ainda conduzindo pai e filho rumo à confronto contra Deuses nórdicos, enquanto expande a exploração do universo dos Nove Reinos. Poderia ser uma boa premissa de desenvolvimento, mas a determinação incessante da Santa Monica de trazer um peso narrativo entre os dois protagonistas, acaba se transformando em uma relação desinteressante e por vezes até frustrante de tão forçada, pois temos muitas cenas e diálogos familiares que não esperamos em um título de hack n'slash, mas o padrão hollywood é característica da maioria dos exclusivos da SONY e com God of War não é diferente.
Temos na trilha sonora a assinatura de Bear McCreary, que funciona muito bem, tanto na exploração quanto nos combates, mas que infelizmente perde um pouco da carga emocional com as cenas dramáticas que tentam através da música trazer o seu valor, quase que assumindo as falhas de roteiro. Agora um espetáculo à parte é a ambientação, que transita por cenários variados, como florestas nevadas a reinos devastados, todos construídos com um nível de detalhe que beira o perfeccionismo, demonstrando a união perfeita de direção de arte com desenvolvimento 3D. Os personagens, criaturas (embora muito repetidas) e até mesmo as plantas que encontramos pelo caminho, demonstram um nível de detalhismo absurdo e que impressiona ainda mais, por ser muito bem otimizado, mesmo na versão de port para PC.
A jogabilidade preserva a base de combate corpo a corpo consolidada anteriormente, ampliando o leque de armas e habilidades tanto para Kratos quanto para Atreus, com um ou outro movimento adicionado, numa tentativa de demonstrar evolução - que em determinados pontos realmente funciona. Infelizmente ainda temos marcações de golpes inimigos por cor, onde apertar o botão certo no momento em que o jogo solicita é o único caminho seguro, o que retira a liberdade criativa, transformando algumas lutas em momentos breves de QTC. Os puzzles continuam da mesma forma, muito previsíveis, mas ainda com um adendo de serem revelados a todo momento pelos NPC's, desestimulando a resolução, algo que se compararmos com a trilogia original, me pareceu um retrocesso. Os desafios não estão de acordo com a narrativa, pois nos níveis mais altos, minions de baixa capacidade possuem até hitkill, o que foge completamente de toda a estrutura de poder construída em cima de Kratos. Também existe uma certa preguiça no desenvolvimento de IA, que não muda nos levels mais altos, basicamente, jogar no hard é ter menos defesa e inimigos com maior HP, nada mais além disso. Os bosses salvam um pouco, mas ainda não conseguem trazer a grandiosidade colossal que esperávamos ou a dificuldade realmente elevada de jogos deste gênero, deixando por exemplo as lutas de desafio extras, como os Beserkers, mais interessantes do que os chefes principais.
VEREDITO: God of War Ragnarök marca o encerramento do arco nórdico da franquia, sustentado por um combate refinado em sua maioria e uma narrativa que amadurece seus personagens, mas que demonstra um script de roteirismo clássico de cinema, persistência de erros de design e puzzles simplificados demais. O vislumbre gráfico e artístico que o jogo demonstra, mesmo sendo em sua essência linear, é de encher os olhos, trazendo momentos contemplativos únicos, que por si só já valem a gameplay.