
6/10 ★★★★★★✰✰✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Quando joguei este game estava a procura de algo similar à um soulslike, mas com maior dinamismo e velocidade, e Flintlock acabou funcionando bem dentro dessa proposta, pois a A44 Games fundiu o combate preciso com a agilidade de movimentos e adaptou um clima mais "claro" ao game, diferente da proposta de atmosfera densa que o estúdio elaborou em Ashen por exemplo. Curiosamente, antes mesmo do lançamento, a equipe revelou em entrevistas que pensava o combate como uma espécie de dança rítmica entre jogador e inimigo, comparando a sensação até com jogos de gêneros bem diferentes, como Guitar Hero (Jogadores veteranos de soulslike entendem de bem disso, o timing de esquivas e golpes, característico deste gênero).
A trama acompanha Nor Vanek, soldada de elite do exército da Coalizão, que se vê ao lado de Enki, um companheiro com aparência de raposa e poderes sobrenaturais, em uma jornada rumo à cidade de Dawn para conter o avanço dos exércitos dos mortos libertados pelos deuses. A premissa parece incrível, os protagonistas ajudam com o carisma, mas o que poderia ter potencial elevado, acaba perdendo o ritmo rapidamente. Isso porque o ritmo narrativo é muito irregular, os personagens secundários recebem pouco desenvolvimento e a relação entre protagonista e mentor, que deveria sustentar o peso emocional da aventura, permanece apenas funcional, sem momentos que realmente podemos memorizar como marcantes após a tela de crédito.
No campo sonoro e visual o resultado é mais consistente, ainda que também sofra com limitações técnicas e com muitos erros de desenvolvimento. Eric Hillman acompanha bem os embates com sua trilha sonora e dispõe também de bons momentos para quando em exploração, mas sempre tive a sensação de que o timing de ativação da música era desconexo com o que acontecia na tela (com exceção dos combates contra bosses). Ainda assim, quando encaixada, principalmente nos setores da trilha de melancolia, conseguia trazer uma certa tensão em alguns momentos. A direção de arte infelizmente não acompanha, pois dentre os erros que citei, vemos problemas com textura, disposição de elementos de forma estranha e uma cor com paleta bem repetitiva, demonstrando uma certa falta de identidade ao projeto.
A jogabilidade mistura golpes de machado, tiros de pólvora e feitiços em combos que exigem certa leitura de padrões inimigos, mas com a adição de Enki, temos um escopo de habilidades muito interessante, que procura compensar problemas como repetição de inimigos e chefes desbalanceados. A sensação geral é de um sistema de combate com boas ideias, mas que faltou tempo de desenvolvimento para uma melhor lapidação, dando a sensação de um título que começou a ser desenvolvido na melhor forma possível, mas que por algum motivo foi acelerado no processo, culminando em um lançamento que mais parece uma versão beta inacabada do que um projeto sólido.
VEREDITO: Flintlock: The Siege of Dawn demonstra ambição da A44 Games, mas tropeça em problemas de ritmo narrativo, repetição de cenários e inimigos e principalmente, instabilidade técnica. Ficamos então com a sensação de um jogo mediano, com momentos pontuais de brilho, mas que não são suficientes para mascarar as arestas mal resolvidas do conjunto como um todo.