
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Na época em que lançou este game, ainda no PlayStation 4, eu realmente não tinha entendido exatamente o que a Guerrilla Games estava fazendo ao migrar os esforços de uma franquia tão grandiosa como Killzone para mergulhar de cabeça em um mundo aberto de dinossauros robôs. Curiosamente, este projeto nasceu de um experimento interno que testava robôs gigantes como inimigos para o FPS da empresa, mas que no fim acabou se transformando em algo completamente diferente, dando origem a uma das protagonistas mais marcantes da geração: Aloy. Três anos após o lançamento e com certa empolgação após conhecer um pouco mais sobre esta obra (e também porque amo dinossauros desde criança), comprei o jogo e iniciei uma jogatina modesta, tentando me conter para não alimentar falsas expectativas, mas que no fim foram amplamente superadas.
A história constrói um mistério investigativo, o que realmente traz o interesse para acompanhar cutscenes e diálogo com NPCs, onde até mesmo histórias secundárias conseguem ser interessantes e por vezes impactantes. Com uma paciência narrativa rara que quase não vemos em jogos atuais, este título alterna entre o presente de Aloy em busca de suas origens, com fragmentos do passado que buscam revelar como a raça humana chegou àquele estágio de civilização. A recompensa pela exploração é um dos pontos fortes neste jogo, e ao perceber isso confesso que me empolguei e a platina acabou chegando quase que de forma natural, sem acompanhar troféus e afins, apenas pela vontade de ver o que tem em cada ponto daquele gigantesco e belo mapa.
Joris de Man lidera o trabalho sonoro, que na minha opinião é um dos melhores que já pude experienciar, pois a trilha equilibra elementos tribais e eletrônicos para reforçar o contraste entre natureza e tecnologia, fazendo quase um casamento com a direção de arte. A ambientação com seus efeitos sonoros não fica atrás, pois acompanha com precisão cada bioma percorrido, destacando desde sussurros dos ventos aos rugidos metálicos das máquinas "vivendo" nos mais diversos biomas dentro do game.
Mas o deslumbre está realmente nos gráficos e na direção artística, pois a sensação de ver o pescoçudo pela primeira vez, ou perceber que as montanhas nevadas ao longe são acessíveis e ainda poder observar a rotina robótica das manadas acontecendo, é algo que realmente marca qualquer jogador. Temos ainda a transição entre o dia e a noite e os efeitos de néon gerados pelas máquinas, algo que vai além de um mero realismo, pois a Decima Engine consegue equilibrar beleza com estética única e profunda; em Horizon Zero Dawn é perceptível o trabalho em equipe no desenvolvimento, absolutamente tudo se conversa.
A jogabilidade deste título acompanha perfeitamente todo o seu glamour, pois o sistema tático de utilização de armadilhas de caça e itens que misturam o tecnológico com o antigo, traz um dos melhores combates que já tive nos games, pois cria uma mecânica que mistura tática (através da observação e planejamento) com agilidade (em investidas e fugas), trazendo uma gameplay diversificada e muito satisfatória. Temos ainda os pontos fracos das máquinas, a tipologia das munições, as montarias, os sistemas de hacks e a progressão de habilidades, que funcionam muito bem, mas que, após 40% a 60% de progresso, acabam transformando Aloy numa super-heroína, e mesmo jogando no último nível, senti uma certa facilidade, mas nada que atrapalhasse significativamente a experiência.
VEREDITO: Horizon Zero Dawn é uma obra que consegue equilibrar ambição narrativa, direção artística refinada e mecânicas sólidas em um pacote coeso e memorável. Cada elemento parece pensado para reforçar os demais, resultando em uma experiência que permanecerá relevante em minha memória por longos anos. Consolidando Aloy como um dos grandes ícones do gênero e a Guerrilla Games como um estúdio capaz de reinventar sua própria trajetória, este título foi uma bela surpresa para mim e, em uma época repleta de remasters e remakes, conseguiu se sobressair simplesmente trazendo algo que admiro em qualquer tipo de obra de arte: autenticidade.