
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: GameSir T4n-Lite
Obviamente a surpresa mais impactante que tive, assim que iniciei este jogo, foram os gráficos incrivelmente avançados, que estonteavam uma beleza que alinhava precisamente à ambientação do século XIV, nos trazendo uma percepção de ambiente extraordinária. Seguindo então no jogo, me deparo com uma narrativa até tranquila, mas que em poucos minutos escalona para um nível de tensão absurdo e que me acompanha até os créditos finais. Além da direção artística e enredos excelentes, temos ainda uma qualidade superior na trilha sonora, que se encaixa perfeitamente ao que o game propõe, demonstrando principalmente que a Asobo não apenas entregou um projeto com boa qualidade técnica, mas acima de tudo, criou uma obra com alma.
A história é centrada entre os dois irmãos, Amícia e Hugo. Até então eles viviam separados pela distância social e emocional dentro de uma mesma família nobre, devido à uma doença do menino. A perseguição implacável da Inquisição e o avanço devastador da Peste Negra funcionam como forças externas que comprimem os dois personagens, forçando um relacionamento que se constrói de forma gradual e convincente ao longo da narrativa, com uma dinâmica que nos afeiçoa aos protagonistas. Isto porque o roteirista Sébastien Renard soube equilibrar o horror histórico da época, com os conflitos importantes entre a dupla, sem que nenhum dos dois eixos anule o outro - Tudo o que acontece nesse jogo tem importância narrativa direta!
Com uma versão da França medieval que é simultaneamente bela e repulsiva, temos campos cobertos de cadáveres; vilas em chamas que contrastam com a arquitetura gótica e planícies abertas da região da Aquitânia, criando uma tensão visual permanente entre o mundo que existia e o que a praga deixou no seu rastro.
Na composição sonora, com Olivier Derivière no comando, ouvimos uma demonstração de sensibilidade única, contendo instrumentos medievais como a nyckelharpa e a viola da gamba ao lado de violoncelo e percussões, visando criar um som que pertence genuinamente àquele tempo e lugar, com a música respondendo de forma dinâmica à presença de ameaças e tensões narrativas.
Na gameplay os controles são sólidos e responsivos, com Amicia se movendo com naturalidade suficiente para que o jogador não precise lutar contra a câmera ou posicionamento nos momentos mais importantes. O desempenho técnico no computador é bom, mas para alta resolução exige bastante do hardware, porém sem problemas de travamentos e afins. O jogo é pesado, mas ainda assim otimizado e recompensa diretamente à cada item que você coloca no 'máximo', é realmente gráfico de última geração para sua época.
Os embates carregam um peso realista e brutal, exigindo extrema cautela e uso do ambiente em vez de agressividade direta. Esse realismo ganha contornos de desespero quando envolvem os ratos, a verdadeira força motriz do perigo na obra. Graças ao motor gráfico, vemos milhares de roedores simultaneamente na tela, movendo-se como um fluido vivo e faminto que reage dinamicamente à luz. Essa mecânica obriga o jogador a resolver quebra-cabeças sob pressão constante, usando o fogo não apenas como arma contra a Inquisição, mas como um escudo efêmero contra a horda. Mesmo com o passar do avanço do jogo e o domínio das mecânicas, o design das fases garante que a tensão nunca caia, sempre entregando uma cena grotesca de destruição ou um cenário de fuga que impressiona ainda mais do que o anterior.
VEREDITO: A Plague Tale: Innocence é a prova incontestável de que um orçamento moderado, quando aliado a uma visão artística clara e um foco narrativo preciso, pode produzir experiências densas que rivalizam com grandes superproduções e se consolida como uma das obras mais impactantes de sua geração. Instiga a curiosidade, satisfaz na gameplay, embeleza nos gráficos. Quando zerei este game fiquei imaginando uma continuação com um orçamento maior, o que talvez a Asobo poderia fazer com um pouco mais de "poder de fogo", e para nossa sorte, vemos exatamente isso em Requiem.