#0141 | Age of Mythology Retold (2024)


7/10 ★★★★★★★✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: Microsoft 600/Corsair Harpoon

▪ Lançamento: 2024
▪ Gameplay: 2025
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Para muitos, este jogo funciona como um resgate nostálgico, mas para mim, foi a conclusão de um elo perdido, pois embora tenha jogado muito no passado, ainda não havia finalizado a sua campanha, e somente em 2025 finalmente vi os créditos finais de Age of Mythology. Desenvolvido pela Ensemble Studios, temos novamente a glória das batalhas mitológicas, porém com gráficos renovados, mas que ainda traz uma volume daquela época, por conservar muito a jogabilidade e manter certas estruturas do jogo anterior - Algo que funciona muito para jogadores antigos, mas que acaba sendo pouco atraente para gerações atuais.

A narrativa foca na icônica campanha de Arkantos, retratando sua cruzada através das mitologias grega, egípcia e nórdica, trazendo figuras históricas que alimentam a curiosidade e prosseguimento da história em busca de Atlântida. A campanha cria um arco que flui bem entre missões introdutórias e situações mais elaboradas, ainda que a condução dos diálogos e das cutscenes sejam muito datadas em alguns momentos, revelando as raízes de um projeto concebido originalmente há mais de duas décadas.

Essa remasterização entrega uma reconstrução visual cuidadosa, com texturas refeitas, iluminação renovada e modelos tridimensionais que aproximam o jogo dos padrões atuais, sem perder a identidade clássica da série. O grande destaque é o retrabalho dos modelos de deuses e criaturas míticas, que agora possuem detalhes que o original só permitia na imaginação. Me impressionei também com as animações dos poderes divinos, como raios e explosões, que vistos pela câmera isométrica do game, eram muito satisfatórios.

A trilha sonora foi assinada por Stephen Rippy e permanece como um dos grandes acertos da obra, equilibrando composições épicas para batalhas e trechos mais contemplativos nos momentos de exploração e construção de base. O design sonoro geral também recebeu atenção, com efeitos de unidades e habilidades soando mais robustos, embora a ambientação como um todo ainda dependa fortemente da nostalgia para impressionar. O meu maior problema com o som foram as dublagens, são extremamente mecânicas, a ponto de eu ter que pesquisar se eram feitas por IA, devido à falta de expressão. Me espantei que não, na verdade o Lionbridge foi o responsável pelas interpretações brasileiras e sem querer desmerecê-los (Pois fizeram um ótimo trabalho em Diablo IV), mas em Retold, infelizmente ficou muito abaixo da qualidade que eu esperava.

No gameplay, a inovação esta na reformulação do sistema de poderes divinos, pois conta agora com a possibilidade de utilizar mais de uma vez, diferente da limitação rígida do original, que altera significativamente o fluxo estratégico das partidas, permitindo jogadas mais arriscadas e dinâmicas. Contudo, a inteligência artificial dos aldeões e o pathfinding das unidades em terrenos complexos ainda apresentam comportamentos que lembram a era do original, onde com certa frequência as unidades se perdem em cenários. A interface, embora modernizada, às vezes parece um pouco poluída para quem busca algo mais intuitivo e pode principalmente atrapalhar jogadores novos do gênero.

VEREDITO: Age of Mythology Retold entrega uma experiência sólida e respeitosa ao material original, equilibrando acertos visuais e sonoros à uma jogabilidade fiel e competente, mesmo que alguns aspectos técnicos deixem à desejar. Este jogo não tenta ser uma revolução, mas sim um polimento, para que assim fãs de RTS modernos possam ter acesso à um dos melhores games de estratégias do começo dos anos 2000.

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