
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: Game Boy Advance
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill
Desenvolvido pela Vicarious Visions, este game consegue traduzir a jogabilidade 3D frenética da série para o formato 2D do Game Boy Advance, e mesmo com uma visão diferenciada para o formato tradicional de plataforma, consegue provar que a experiência de Crash é completamente compatível com o formato do portátil, sacrificando apenas um pouco de sua dificuldade.
A narrativa é básica, mantendo o tom cômico e absurdo característico: Neo Cortex diminui a Terra com um raio encolhedor, e nosso herói precisa impedir o desastre, servindo como uma desculpa para as aventuras nos diversos levels do jogo. Na arte, o jogo utiliza modelos 3D pré-renderizados convertidos para sprites 2D, capturando perfeitamente o visual e a fluidez das animações dos jogos originais do PlayStation. É um deleite visual se pensar nas limitações que o pequeno hardware da Nintendo contém, onde o charme dos personagens e cenários vibrantes conseguem compensar qualquer artifício de desenvolvimento.
No gameplay, a estrutura mistura estágios de progressão e seções de fuga de perseguições, contendo também uma certa diversidade de jogabilidade, incluindo por exemplo as fases de voo. A forma como os desenvolvedores manipularam a perspectiva para simular profundidade realmente impressiona. Entretanto, o jogo sofre com baixo campo de visão, o que torna alguns saltos uma questão de pura memorização ou sorte, pois você pula literalmente no meio do nada, sem saber exatamente o caminho da fase. O pulo em determinados momentos carece também de precisão, parecendo um pouco rígido se comparado aos títulos tradicionais, e mesmo quando a câmera não comete o erro de esconder o cenário, ainda assim percebi dificuldades de acesso à certos locais, um erro de mecânica que as vezes incomoda um pouco.
O desenho de som faz um trabalho competente ao replicar os temas clássicos de Crash e os efeitos sonoros icônicos (como a quebra de caixas e o giro clássico), logicamente dentro das limitações da placa de som do console, mas que neste ponto não deixa nada a desejar, pois a mixagem, embora comprimida, consegue manter a energia e o ritmo necessários para para a fluidez sonora.
VEREDITO: Crash Bandicoot XS se consagra como uma peça histórica importante nos portáteis, embora não tenha a longevidade ou a profundidade dos grandes títulos do marsupial, consegue ainda ser uma excelente porta de entrada para muitos jogadores, devido à sua dificuldade bem acessível. É um game que apesar das limitações da plataforma, entrega uma experiência nostálgica, que respeita o legado da franquia, mas que opta em não arriscar muito, preferindo um básico bem feito.