#0146 | Clair Obscur - Expedition 33 (2025)


11/10 ★★★★★★★★★★★

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2025
▪ Gameplay: 2025 ✪ Melhor do ano
▪ Dificuldade: Difícil ◈◈◈◈◇

♛ TOP10 | 6º lugar

Este título é uma declaração de intenções cobertas de ousadia, que redefine o RPG de turno, com uma fusão estética e mecânica absolutamente únicas. O jogo da Sand Sailor Studio, não apenas desafia as convenções do gênero, como também às eleva através de uma direção de arte que parece ter saído de uma pintura surrealista, como o próprio jogo sugere. A excepcionalidade foi tanta, que atingiu o mundo inteiro, sendo até então o jogo que ganhou mais premiações na história, um marco para a indústria dos games. 

A premissa carrega um peso raro: tudo esta partido por um evento chamado de Fratura, onde uma entidade colossal conhecida como Artífice acorda todos os anos para pintar um número em um monólito gigante. Quando esse número é apagado, todas as pessoas com aquela idade se dissolvem em cinzas e pétalas, num fenômeno chamado de Gommage. É dentro desse ciclo implacável de morte que a Expedição 33 parte em sua jornada, formada por pessoas que vivem seu último ano de existência e que carregam sobre os ombros o peso de todas as expedições fracassadas que as precederam. Gustave e Maelle ancoram a narrativa com uma química genuína e um arco emocional que evolui de forma orgânica, sem apelar para artifícios baratos, enquanto o jogo tece camadas cada vez mais densas de sua lore. O significado de tudo é amplo, pois a narrativa se altera conforme a aventura avança, culminando em revelações que recontextualizam tudo, mas com uma fluidez de enredo natural, instigante e principalmente, épico.

Na produção artística, temos a fundição do romantismo melancólico da Belle Époque, com uma fantasia moderna que respira estranheza e beleza ao mesmo tempo, resultando em ambientes que oscilam numa percepção de sonho, que ao mesmo tempo não perdem sua coerência. O visual de Clair Obscur é estonteante, nos fazendo muitas vezes apenas observar tudo em nossa volta, realmente um dos melhores trabalhos já feito na polêmica engine Unreal 5.

No áudio - o que particularmente me impacta até hoje - o compositor Lorien Testard, passou cinco anos construindo uma trilha sonora de mais de oito horas de música, misturando ópera clássica e prog-rock pesado à linda voz da co-compositora Alice Duport-Percier. Com isso, a música responde dinamicamente às ações do jogador, expandindo e contraindo conforme a tensão dos combates ou a quietude da exploração, e o resultado é uma presença constante que nunca sufoca, mas sempre se aprofunda através de suas belas canções.

O sistema de combate adiciona elementos de ação em tempo real ao formato já conhecido baseado em turnos, exigindo do jogador atenção constante para aparar golpes, esquivar de ataques e reagir com precisão nos momentos certos, sem jamais transformar os encontros em sequências mecânicas monótonas, algo característico deste estilo. A progressão de personagens é generosa em opções, oferecendo sistemas de customização que recompensam a experimentação e permitem construir estilos de gameplay diferentes, retirando a build tradicional condiciona à itens, dando lugar e prioridade aos sistemas de habilidades ativas, quase como uma preparação de decks de um TCG.

VEREDITO: Clair Obscur: Expedition 33 é o tipo de jogo que redefine a indústria, trazendo uma qualidade rara, algo que entendo que não verei similar por um bom tempo. A Sandfall não apenas estreou com um clássico instantâneo, na verdade nos entregaram uma experiência que sintetiza décadas de influência dos melhores JRPGs da história, refinando o estilo, mesmo que com baixo orçamento. O jogo é belo, é empolgante, é excelente em todas as áreas, que fica inclusive difícil de destacar uma delas. Poi se falamos da arte à base de pinturas, lembramos da trilha sonora impecável e viciante. Se falamos da jogabilidade inovadora, lembramos da narrativa melancólica e fechada em perfeição. Clair Obscur não falha, ele ousa a aproximação à perfeição, e principalmente demonstra que um jogo só alcança esse patamar, quando é feito por amor à arte e não como apenas um subproduto.

Clair Obscur - Expedition 33 é a experimentação interdimensional da dor familiar, o entendimento de que o ciclo existe, e é inevitável.

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