
7/10 ★★★★★★★✰✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15
Doom de 2016 reacendeu a chama de uma das mais incríveis franquias dos games, o que garantiu até então duas sequências, sendo Doom: The Dark Ages uma delas. Chegando como uma espécie de reboot, recuando ainda mais na mitologia do Doom Slayer para explorar suas origens, este título mistura estética medieval com tecnologia, focando em um combate baseado em cadência, porém rítmico, exigindo ainda assim reflexos de primeira.
A narrativa posiciona o protagonista em um período anterior aos eventos dos jogos modernos, no coração de uma guerra épica. Slayer é apresentado quase como uma arma de destruição em massa mantida em uma coleira, o que muitas vezes durante a narrativa, nos traz a impressão que a qualquer momento ele pode explodir de raiva e mandar tudo pelos ares, trazendo uma dimensão enraizada na trama, um pouco mais profunda que os anteriores. A abordagem é extremamente cinematográfica, com cutscenes bem dirigidas e vilões relativamente bem construídos, porém para quem já conhece a série, toda essa construção de enredo soa como ruído de fundo, um esforço honesto mas pouco envolvente, para justificar o que todo mundo realmente quer: a carnificina, onde neste ponto, The Dark Ages não decepciona.
Os cenários alternam entre paisagens devastadas por batalhas épicas à interiores claustrofóbicos com arquitetura demoníaca, isso tudo com um gráfico visivelmente melhorado, porém mantendo ainda o estilo cartunesco já conhecido. Mesmo com a evolução tecnológica, a engine da ID não decepciona, mantendo a leveza para que seja possível atingir altos fps ou ainda qualidade de resoluções absurdas. O design dos inimigos clássicos ganhou novas roupagens prevalecendo o estilo medieval, mas sem perder a identidade característica da franquia. Temos agora seres blindados, rápidos e os clássicos soldados que correm para a morte, porém numa quantidade ainda superior, onde alguns fornecem armadura, noutros munição e alguns ambos, dependendo da forma que são atingidos, isso exige mais estratégia em cada embate, evoluindo de certa forma a gameplay.
Algo que causou certo rumor na época de divulgação, foi a ausência Mick Gordon, compositor das faixas icônicas do jogos anteriores, mas que após certo conflitos com o estúdio, deu lugar ao duo Finishing Move. O resultado é competente, com momentos genuinamente empolgantes, mas o impacto dinâmico que Gordon extraía da música durante o combate simplesmente não está ali e em determinados momentos fazem falta. A mixagem de som é interessante, mas senti divergências na localização mesmo com Headset, onde por vezes os inimigos pareciam estar do lado, mas estavam atrás ou vice-versa.
Por fim, temos a maior adição do jogo, muito possivelmente uma ideia para atrair jogadores de soulslike, Slayer agora tem um escudo para as batalhas, possibilitando o uso de parrys. Além de bloqueio, podemos fazer uma espécie de contra-ataque e refletir projéteis específicos, com o timing desta mecânica disponível no menu de configurações. Confesso que no início achei estranho, mas no decorre me acostumei, mas não achei exatamente uma ferramenta que se encaixa à este estilo de game.
VEREDITO: Doom: The Dark Ages é um jogo que respeita sua herança sem se acomodar nela, trocando o parkour frenético de seu antecessor, por um combate mais fundamentado e estratégico, que por muitas vezes não convence muito, mas que no geral agrada principalmente pela gameplay um tanto intuitiva e ajustável. A ambientação medieval é uma das ideias mais ousadas que a série já teve e funciona bem, mas a trilha sonora, mesmo com consideração à indicação ao Grammy, acabou não me agradando tanto, pela repetitividade e perca de timing.