#0158 | Mortal Kombat 1 (2023)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (R7 5800X3D + RX 7900XTX)
▪ Controlador: EasySMX X15

▪ Lançamento: 2023
▪ Gameplay: 2025
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Poucas franquias de luta carregam tanto peso histórico quanto Mortal Kombat. Desde os arcades dos anos 90, a série sempre se reinventou com uma mistura de violência estilizada, mitologia própria e uma base de fãs devotíssima. Com Mortal Kombat 1, a NetherRealm Studios aposta em um reboot completo da linha do tempo, recomeçando a narrativa após os eventos cataclísmicos de Mortal Kombat 11.

A premissa central gira em torno de Liu Kang como um deus do fogo que redesenhou a realidade, criando uma nova linha do tempo onde personagens icônicos assumem papéis inéditos, surpreendentes e por vezes até cômicos. Essa inversão de expectativas é um dos pontos mais interessantes da campanha, que apresenta versões alternativas de rostos familiares de maneiras que vão agradar tanto veteranos quanto recém-chegados. A construção de mundo demonstra cuidado com a mitologia estabelecida ao longo de décadas e a história cumpre bem seu papel de recontextualizar o universo.

Visualmente, o título é um espetáculo. E o destaque definitivamente estão nas arenas, pois é absurda a quantidade de detalhes e a criatividade no desenvolvimento. A direção de arte aposta em uma paleta mais vibrante em relação ao tom sombrio do antecessor, conferindo à produção uma identidade visual distinta - você olha e sabe que é MK1. Temos ainda os modelos de personagens extremamente detalhados, sendo inclusive os mais expressivos já produzidos na franquia até então. As animações de fatality, golpes, contra-golpes, pulos e afins, estão mais orgânicas e responsivas e raramente pude observar queda de frames.

A trilha sonora complementa bem a ação, mesclando batidas eletrônicas pesadas com elementos orquestrais que amplificam os momentos mais tensos. Os efeitos sonoros de impacto, característicos da série, seguem precisos e satisfatórios, colaborando para a sensação de peso em cada golpe e trazendo aquela sensação de vertigem ao escutar a quebra dos ossos.

O grande diferencial mecânico esta no sistema de Kameo Fighters, personagens de suporte acionados durante o combate para aumentar combos, criar armadilhas ou reverter situações de pressão (Talvez até sendo o melhor sistema de defesa do jogo). A ideia é criativa e adiciona uma camada estratégica relevante ao gameplay, embora a curva de aprendizado possa intimidar os mais casuais no início. Os controles respondem bem e a fluidez das sequências é notável, porém é notória a inserção de uma cadência maior, que creio eu, serve para evitar os ditos combos infinitos.

VEREDITO: Mortal Kombat 1 é um retorno consistente que equilibra tradição e renovação com competência. Temos um jogo muito mais avançado tecnicamente da franquia, com mecânicas que recompensam dedicação, mas sem fechar totalmente as portas para iniciantes. A fidelidade dos modelos de personagens, as texturas de pele e os efeitos visuais de sangue e magia nunca estiveram tão definidos. O sistema de som faz um trabalho muito bom e é acompanhado por uma fluidez gráfica impressionante. Temos aqui o legado de lutas brutais com uma narrativa cinematográfica de altíssimo nível e que, embora tenha gerado debates por suas escolhas de economia no jogo e o nerf gráfico na versão do Switch, no PC ele consegue brilhar e demonstrar realmente à que veio.

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