
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: Nintendo Switch
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill
Neva é uma experiência poética e sensorial que consolida o talento do estúdio Nomada em criar jogos que funcionam como pinturas em movimento, que nos trazem um entretenimento fora do convencional, onde o sentir é mais importante que a superação de dificuldade. Este título é uma evolução temática e mecânica de GRIS, focando desta vez na complexidade da maternidade e amadurecimento da inevitável transição do luto para a aceitação.
A narrativa é puramente visual e emocional, sem diálogos. Assumimos o controle de Alba, uma mulher conectada a um lobo jovem que leva o nome do jogo, onde deve protegê-lo enquanto o mundo ao seu redor é consumido por uma força de corrupção. A direção de arte é um triunfo absoluto: cada quadro parece uma peça de arte clássica, utilizando uma paleta de cores que evolui conforme as estações do ano, simbolizando as fases da vida e a passagem do tempo - mas que neste momento já não é mais tão impressionante, pois configura numa repetição de uma fórmula que deu certo anteriormente.
A jogabilidade introduz mecânicas de combate e plataforma mais estruturadas que o antecessor, porém as lutas em sua maioria são mais cênicas do que desafiadoras, o que na minha opinião poderia ser diferente, para que assim pudéssemos ter um maior proveito dos inimigos, estes que tem um design e movimentação excelentes. Temos também uma interação com Neva, onde podemos chamá-lo ou fazer carinhos, para que ele continue a nos acompanhar durante a jornada. A duração do jogo é pequena, porém tive a sensação de roteiro com começo, meio e fim, ou seja, o jogo não se perde dentro do seu próprio timing e cumpre perfeitamente seu papel em relação ao enredo.
No Switch é notável a otimização, pois a fluidez é sempre garantida, mesmo em momentos de ação ou alteração do cenário geométrico. A trilha sonora do grupo Berlinist é orgânica e funcional, reagindo aos momentos de perigo de forma sutil, mas certeira - aumentando assim a qualidade narrativa do game. A mixagem enfatiza o silêncio e o som da natureza, e da ênfase a pequenos sons, sendo algo um tanto provocativo ao estilo ASMR.
VEREDITO: NEVA é uma obra visualmente magnífica, mas que tenta trazer um desafio muito singelo, flertando com o estilo metroidvania, mas ainda se mantendo como um plataforma simples. Este jogo tem uma duração contida e o combate não é aprofundado, porém sua força reside na capacidade de tocar o jogador de forma silenciosa e profunda. É uma jornada sobre o ato de deixar ir, mesmo quando fazemos parte do crescimento de vida de alguém, se consolidando como uma experiência artística agridoce, com grande potencial, mas que desta vez não atinge o patamar de excelência como seu antecessor espiritual.