
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: Nintendo Switch
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill
Quando vi o trailer, acreditei que se tratava de uma história mais infantil, sem muito peso narrativo. Enfim, eu estava completamente enganado, pois esta belíssima jornada de metroidvania conquista o coração de quem aceita o desafio, pois nos traz um enredo com sensibilidade artística rara, provando para o mundo que a Moon Studios sabe exatamente o que esta fazendo. Embora eu tenha o jogo para PC, preferi seguir com meu costume em priorizar jogos de plataforma no Nintendo Switch, o que não me arrependo, pois mesmo no portátil, tive uma experiência incrivelmente fluida.
A obra se destaca por resgatar a essência punitiva dos games de precisão dos anos 90, mas com uma roupagem lúdica que lembra histórias de contos de fada. Porém este game não é apenas um deleite visual, o título exige reflexos afiados e domínio espacial, provando que um design de mundo encantador pode esconder um nível de dificuldade magistralmente orquestrado para prender a atenção do jogador.
A trama se desenrola na mística e exuberante floresta de Nibel, que se vê repentinamente à beira da morte e do apodrecimento, após uma tempestade avassaladora separar o pequeno e brilhante espírito guardião Ori de sua afetuosa mãe adotiva, a dócil criatura Naru. Acompanhado por Sein, uma pequena e falante esfera de luz que atua como o seu principal meio de ataque e interação, o protagonista embarca em uma odisseia solitária para restaurar os três elementos vitais da natureza: as águas limpas, os ventos constantes e o calor vital. O roteiro se apoia fortemente na narrativa visual, usando pouquíssimas palavras para construir a ameaça imposta pela gigantesca coruja Kuro e o arco de redenção do esguio Gumo. É uma história fantástica sobre sacrifício, luto e esperança, contada de forma tão delicada, que cria um vínculo emocional imediato e ainda maior com sua conclusão.
Este título é uma autêntica pintura em movimento e essa construção foi graças a versatilidade da engine Unity, que além de excelentes gráficos, nos proporciona uma estabilidade fora do comum. A direção de arte também merece seu destaque, pois absolutamente nenhum elemento do cenário de fundo é duplicado, temos cada árvore retorcida, cogumelo luminescente e pedra musgosa pintada individualmente pelos artistas, criando uma floresta organicamente coesa e livre de repetições visuais, que poderiam quebrar a imersão. No áudio, temos a composição de Gareth Coker, que assina uma trilha orquestral arrebatadora, onde os vocais celestiais da cantora Aeralie Brighton casam perfeitamente com os ruídos úmidos e perigosos da flora, se destacando ainda mais em momentos de ação e revelações do jogo.
A gameplay flui com uma graciosidade singular, fundamentado em botões extremamente responsivos e que principalmente não tentam "inventar a roda", pois mantém o padrão de comandos de jogos de plataformas tradicionais, apenas operando em liberdade em comandos únicos do jogo. Isso nos permite fazer diversas acrobacias na exploração labiríntica do mapa, ficando ainda melhor a cada descoberta de habilidade, onde muitas abrem caminhos que anteriormente eram barrados. Mas a grande inovação mecânica é o uso do Soul Link, que consiste em um criativo sistema estratégico, que dá ao jogador a liberdade de gastar a sua energia mágica para criar os seus próprios checkpoints - Esta é uma mecânica tão boa, que na minha opinião deveria ser estendido para outros jogos do gênero e também para soulslikes. O combate foca em evasão e em descarregar os raios de luz teleguiados, bastante complementado com a habilidade de Bash, que permite agarrar inimigos, pêndulos e projéteis suspensos no ar, para arremessar o protagonista na direção oposta, transformando a navegação pelos espinhos mortais em um balé aéreo contínuo e insanamente viciante.
VEREDITO: Ori and the Blind Forest transcende a inocência de sua estética lúdica para se consagrar como uma das obras de metroidvania mais emocionalmente impactante, sendo um daqueles jogos que nos deixa uma sensação sentida de despedida ao finalizar. A Moon Studios orquestra uma jornada tocante sobre luto e esperança, amparada por cenários minuciosamente pintados à mão e pela trilha sonora incrivelmente bem adaptada. Ainda assim, este título exige precisão e reflexos refinados, mas os garante por meio de controles extremamente responsivos, onde a genialidade de acrobacias aéreas e o inovador sistema estratégico de salvamento, transformam o desafio de sobrevivência em um viciante e inesquecível balé acrobático.