#0174 | This War of Mine (2014)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: Nintendo Switch
▪ Jogado em: Nintendo Switch Lite
▪ Controlador: Switch Lite Grip TwiHill

▪ Lançamento: 2014
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Extrema ◈◈◈◈◈

Não tinha ainda jogado um game da 11 bit studios, mas sinto que tive o melhor começo possível, pois em This War of Mine, temos uma notória criatividade de como retratar a jornada de sofrimento e resiliência de civis comuns, em meio ao caos de uma guerra civil. Inspirado nos relatos reais do trágico cerco de Sarajevo, que ocorreu durante a guerra da Bósnia nos anos 90, este título encontrou um espaço incrivelmente imersivo na tela do Switch, onde joguei por opção, pois mesmo possuindo a versão para PC, no portátil me pareceu que ele permitia sessões mais intimistas e próximas do jogador, melhorando assim a experiência. A densidade é alta e emocionalmente pesada, além de bastante punitiva, mas que brilha ao forçar o jogador a tomar decisões cruéis sob extrema pressão, e nos coloca diretamente sob uma sensação que não vemos em muitos jogos, que é o limiar entre a responsabilidade e a moralidade.

A narrativa não segue um roteiro linear tradicional, mas aposta em uma geração de histórias que se desdobram nas ruínas de pedra da cidade fictícia de Pogoren, localizada no devastado país de Graznavia. A cada nova campanha, o grupo inicial de refugiados muda, alterando não apenas os rostos, mas também as habilidades disponíveis, os problemas vitais e até mesmo vícios problemáticos. Não existem grandes vilões roteirizados, pois aqui o objetivo é simplesmente conseguir sobreviver ao vencer a fome, depressão, medo, doenças e ferimentos, e claro, o cansaço. O forte peso dramático surge das interações diárias, onde a falta de um simples antibiótico pode levar um personagem muito útil a um leito de morte, gerando uma espiral de luto crônico entre os habitantes que continuam na casa. A depressão é existente e altamente impactante, assim como a felicidade momentânea de poder se alimentar bem por exemplo, o jogo em si tenta ser o mais fiel possível à situação imposta pela catástrofe. 

Artisticamente o jogo é um espetáculo aos olhos, com gráficos que imitam brilhantemente os traços irregulares de um desenho a carvão, em um tom quase monocromático, com a câmera cortando os abrigos em uma perspectiva transversal e lembrando a visão lateral de um formigueiro. O clima desolador ganha também uma força impactante, graças aos efeitos de som, que nos trazem um ASMR de suspense psicológico, ainda mais enfatizado pela trilha musical pontuada por violões solitários e melancólicos, elabora pelo compositor Piotr Musiał, e que lembra um pouco o jogo The Last of Us.

As mecânicas de jogo se dividem em dois ciclos, durante o dia, atiradores de elite impedem qualquer movimentação externa, obrigando o jogador a focar o gerenciamento de tempo no crafting de móveis, cadeiras, fogões improvisados e armadilhas para capturar pequenos animais; quando a escuridão da noite domina, o silêncio furtivo entra em cena, onde um escolhido deve invadir supermercados abandonados ou zonas militares em busca de recursos. A inovação mais dolorosa e aclamada reside no sistema invisível de moralidade, pois roubar suprimentos de indefesos; matar; ou negar apoio à necessitados, podem trazer traumas psicológicos e difundir tristeza e depressões nos personagens sob seu controle. Agora em casos de confronto inevitável, infelizmente o jogo peca muito, nos trazendo controles imprecisos, avisos de sistema sem pausa e ocasionando mortes de personagens sem necessariamente ser uma falha do jogador, o que desanima demais um recomeço, levando em conta que o game não tem retro-save.

VEREDITO: This War of Mine é um retrato visceral, corajoso e psicologicamente denso sobre o impacto de um conflito armado sob a ótica civil, brilhando pelo peso de seus dilemas morais e mecânicas de sobrevivência. A direção de arte monocromática em estilo carvão e a trilha sonora minimalista, constroem uma atmosfera desoladora e opressiva, que se encaixa perfeitamente na intimidade de telas portáteis. Embora o título tropece sensivelmente em combates de controles imprecisos e na punição injusta decorrente da ausência de salvamento manual, a genialidade de sua jogabilidade de gerenciamento e furtividade estabelece um marco emocional realmente muito raro de se encontrar em games.

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