
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Red Magic 10 Air
▪ Controlador: EasySMX M15
Com certeza zerar este game foi uma realização de infância, um daqueles títulos que, quando pequenino, não consegui finalizar por apenas ter acesso via locação, mas que agora em fase adulta e aproveitando ainda a portabilidade do smartphone, consegui realizar o sonho de ver os créditos finais. Esta aventura carismática carrega uma das maiores curiosidades da indústria dos games, pois foi projetada por Shinji Mikami, o lendário diretor da famosa franquia Resident Evil, à qual sou um fã de carteirinha. Este título da CAPCOM tem o foco claro em resolução de quebra-cabeças, sendo uma experiência sólida e criativa, focada em entregar pura diversão, perceptível ainda mais com seu clima descontraído e praiano.
A narrativa, inspirada na famosa série animada de televisão, começa de forma bastante inocente durante uma tranquila pescaria. Os protagonistas Pateta e seu filho Max acabam presenciando o sequestro de seus vizinhos, o ranzinza Bafo e o pequeno PJ, que são levados por engano por um enorme navio de piratas liderado pelo capitão Keelhaul Pete (Este vilão confesso nunca ter ouvido falar antes deste jogo). A jornada de resgate os leva para a perigosa ilha Spoonerville, um lugar cheio de armadilhas, vilas fantasmas e cavernas escuras. O roteiro não busca ser profundo, servindo como um pretexto descontraído para avançar pelas fases, mas o charme real mora nas animações cômicas e nas situações inusitadas que os personagens enfrentam ao lidar com os inimigos.
O cuidado com a direção de arte é notável, tirando um excelente proveito das paletas de cores do hardware da Nintendo e trazendo sprites dos personagens expressivos e animados, principalmente quando se trata das reações exageradas de medo ou no nítido esforço ao empurrar enormes blocos de pedra. No áudio, temos o mesmo tom pastelão que víamos no antigo desenho animando na Disney Cruj (Nostalgia pura), mantendo o tom de comédia através da trilha sonora extremamente cativante e recheada de ritmos tropicais. Os efeitos sonoros ajudam a dar peso às ações, marcando presença desde o barulho satisfatório de um barril de madeira estilhaçando, até o som peculiar do gancho cruzando a tela (Que para mim pareceu ser um sprite aproveitado do jogo Super Pang).
O gameplay exibe a sua verdadeira genialidade durante o modo multiplayer local, um co-op de dar inveja em muito game atual, onde a comunicação constante e o trabalho em equipe são fundamentais. O level design é inteligente e fragmentado em pequenas salas, cada uma com seu puzzle, que conforme se avança, liberam novas portas ou novos itens. A melhor sacada mecânica foi aplicar atributos únicos para a dupla: enquanto o Pateta consegue derrotar inimigos em menos golpes e arremessar vasos a longas distâncias graças à sua força, o jovem Max corre com muito mais velocidade, criando uma ótima dinâmica na divisão de tarefas.
VEREDITO: Goof Troop é uma pérola do Super Nintendo que esbanja criatividade ao transformar uma propriedade intelectual carismática em uma sólida e inteligente experiência de quebra-cabeças. Sob o comando do icônico Shinji Mikami, o título descarta a complexidade narrativa em favor de um level design brilhante e particionado, que brilha de forma absoluta em seu cooperativo local. A distinção precisa de atributos entre Pateta e Max, somada a uma direção de arte vibrante e expressiva, compensa qualquer simplicidade estrutural, consolidando a obra como um clássico cooperativo atemporal e extremamente divertido.