#0189 | Journey (2019)


7/10 ★★★★★★★✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: Red Magic 10 Air
▪ Controlador: EasySMX M15

▪ Lançamento: 2019
▪ Gameplay: 2026
▪ Dificuldade: Muito Fácil ◈◇◇◇◇

Journey trabalha com a ideia de buscar emoção acima do desafio, o que particularmente não me incomoda em jogos, pois sou acostumado com apostas em focos narrativos. Mas também entendo que a proposta deve ser bem fundamentada, para que a atenção do jogador seja conquistada. Porém neste título, a suavidade é um tanto exagerada, mesmo com as tentativas constantes de se gerar cenas épicas, mas que acaba ficando entre a linha (muito tênue) da curiosidade do universo apresentado e a monotonia de uma gameplay repetitiva e pouco convidativa.

Com esta premissa, a narrativa se constrói quase inteiramente sem diálogos, apostando numa figura encapuzada que atravessa um deserto vasto em direção a uma montanha distante, de onde emana uma luz constante que serve como guia visual e simbólico. A ausência de textos explicativos e a interpretação de gestos entre ruínas e memórias fragmentadas, é um formato interessante até certo ponto, mas que às vezes se perde entre tentativas de trazer uma carga emocional maior o peso da narrativa. Por um lado, isso pode funcionar utilizando a imaginação dos jogadores com base nas gravuras que encontramos pelo caminho, mas que também pode diminuir o interesse de entendimento. Temos então, um resultado que toca mais pela atmosfera do que pela clareza, agradando quem busca introspecção, mas frustrando quem esperava algo com uma mensagem mais aprofundada.

Por outro lado, a direção artística do som e ambientes é algo digno de um AAA, pois Journey se apoia fortemente na parceria entre imagem e música, salientando a composição de Austin Wintory com a condução do que vemos na tela. Os tons quentes de areia contrastando com azuis frios em momentos de contemplação, criam uma ambientação minimalista, mas que consegue transmitir uma escala de solidão que até então não havia experimentado em um game. Os efeitos de física são surpreendentes, pois vemos realmente os grãos de areia, a movimentação do tecido do personagem, as marcas de caminhada e o que mais me encantou, os efeitos de iluminação com a interação dos os seres daquele universo. Ainda assim, mesmo com toda essa excelência gráfica, este título conseguiu se manter numa performance espetacular em 2,5K em um smartphone, raramente caindo dos 60fps com FG no gamehub.

Em termos de jogabilidade, os controles são simples e respondem bem às ações de caminhar, deslizar e voar por curtos períodos usando uma espécie de cachecol mágico, mas sem muitos comandos interativos, onde inclusive algumas delas acontecem apenas com a simples aproximação do personagem. Os desafios são majoritariamente ambientais, com puzzles muito simples, sem possibilidade de derrota e demonstrando que a proposta não é mesmo a dificuldade, mas a simples contemplação. O que me incomodou um pouco foi a câmera que não conseguia entrar numa decisão em ser travada ou livre, onde me trouxe alguns problemas de perspectiva e me impedia muitas vezes de escolher à minha maneira como gostaria de admirar determinada paisagem, mesmo se tratando de um game contemplativo.

VEREDITO: Journey entrega uma experiência visualmente marcante e emocionalmente bem construída, sustentada por uma trilha sonora de primeira linha e uma direção de arte muito eficiente. Ainda que sua simplicidade mecânica e sua narrativa deliberadamente aberta possam não conquistar todo tipo de público, este game consegue cumprir bem sua proposta contemplativa na maior parte do tempo, nos apresentando que é possível retratar um sentimento pouco explorado no mundo dos games: a solidão.

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