#0008 | Silver (1999)


10/10 ★★★★★★★★★★

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Pentium 4 integrado)
▪ Controlador: Kit VCOM 6268

▪ Lançamento: 1999
▪ Gameplay: 2002 ✪ Melhor do ano
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Não tenho receio nenhum em dizer que Silver é uma joia subestimada dos RPGs de ação, famosa pelo sistema de combate único baseado em movimentos direcionais do mouse e que, por longos anos, fez parte do meu TOP10, perdendo posição apenas para a inclusão de Elden Ring em 2024.

O mundo neste jogo é construído sobre cenários pré-renderizados lindíssimos, que evocam a era de ouro do gênero e lembram títulos mais atuais, como Baldurs Gate 3. A história de fantasia é clássica, mas a progressão e a variedade de magias mantêm o interesse constante, isto porque Silver abusa de muita personalidade, equilibrando bem a exploração e batalhas que exigem além de estratégia, certa habilidade. 

Com uma história fantástica (Que aproveitei ainda mais, por ter conseguido a rara edição em português do Brasil da revista PC Gamer nº 30 / Ano 3, 2000), este game te leva à um mundo mergulhado numa sombra eterna: Jarrah. Neste mundo, o céu foi sequestrado por um pacto sombrio, graças ao vilão que leva o mesmo nome do jogo, um Rei que não respeita o próprio reino. Mas o poder deste Rei não é apenas por status ou posição, Silver é um grande feiticeiro, de poder avassalador, que governa aos moldes do punho de ferro e tem uma ansiedade louca por uma nova rainha, ordenando inclusive o sequestro de todas as mulheres de seu território, afim de escolher sua futura esposa. É aqui que entra nosso protagonista, o jovem guerreiro David, que assiste impotente, a sua esposa ser arrancada de seus braços, desenvolvendo motivos para o aprofundamento da trama, que eu tenho certeza que qualquer amante de histórias de fantasia, irá se emocionar.

Na jogabilidade, como mencionei anteriormente, temos algo mais sofisticado do que action-RPGs tradicionais, onde você não apenas clica em inimigos, como ocorre por exemplo em Diablo III, aqui é necessário desenhar seus ataques através da movimentação do mouse. Sendo assim, recomendo fortemente que escape de possíveis versões que venham à utilizar joysticks (incluindo o Dreamcast), pois isto traz uma perda grande de experiência, visto que este sistema inovador lhe faz sentir o peso da espada, enquanto enfrenta cavaleiros blindados e criaturas grotescas.

A trilha sonora de Silver, composta por David Lawson, consegue capturar a essência da transição entre a fantasia épica e o tom sombrio do jogo, isso se estende para a adaptação de ação do combate, exploração e diálogos, onde tudo funciona de forma muito natural, mesmo com um som orquestral. Essa qualidade sonora foi um dos pontos mais elogiados pela crítica internacional, e que na época foi uma das responsáveis por me inserir no mundo da música clássica, algo que permeia até hoje na fase adulta.

Mas um sistema que realmente me impressionou, foi como os desenvolvedores optaram pelo uso das magias, que é estruturada em torno dos oito orbes elementais, relíquias de poder que você conquista com o avançar do jogo. Cada uma trabalha com um tema, sendo Fogo, Gelo, Cura, Relâmpago, Terra, Ácido, Luz e Tempo, que se encaixam perfeitamente com os desafios colocados pelo game e traz a curiosidade necessária que estimula o avanço do jogador. 

VEREDITO: Silver não é apenas nostalgia, é um testemunho de inovação que desafiou as convenções de sua época, graças ao seu sistema de combate direcional e que ainda hoje entrega uma satisfação tátil única. Este game tem tudo o que se espera de um excelente RPG, incluindo união de forças com outros combatentes, busca por itens mágicos, batalhas memoráveis e principalmente reviravoltas empolgantes. Entre cenários pré-renderizados que exalam atmosfera e uma narrativa emocional sobre tirania e resgate, o jogo equilibra perfeitamente o peso de sua trilha orquestral e ainda conta com a progressão estratégica diferenciada, cativando o jogador do começo ao fim. 

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