
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Super Nintendo Baby
▪ Controlador: Nintendo SNS-005
Desenvolvido pela Gremlin Graphics, este jogo de corrida oferece uma campanha extensa, composta por um total de 64 pistas distribuídas por 16 países diferentes. Ao contrário do seu antecessor, o sistema de escolha entre quatro veículos pré-definidos é abandonado e temos no lugar a inclusão de economia, onde o jogador precisa acumular capital, com verbas oriundas de suas vitórias e assim administrar a sua garagem, algo que se tornou atualmente muito popular em jogos do gênero. Por este motivo, Top Gear 2 eleva a franquia para um nível muito mais estratégico e recompensador, valorizando o progresso do jogador e também trazendo diversas formas de customização para os veículos. Também vale destacar que a os nitros agora são geridos conforme a aquisição ou estratégia do jogador, muito diferente da dinâmica dos três impulsos automáticos, que vimos na versão original de 1992.
Deixando agora de lado as comparações, agora sob a ótica técnica e de design, Top Gear 2 utiliza gráficos muito presenciais no Super Nintendo, o que chamo de pseudo-3D. Gerados por manipulação de linhas de varredura (efeito raster), efetuando variação de escala e scroll, para simular profundidade, algo que vimos em muitos jogos com Mode 7, como por exemplo o vilão final do clássico Super Mario World. Na ambientação, as variações climáticas dinâmicas, conseguem propiciar mudanças em tempo real do clima, incluindo o surgimento de neblina, chuva e a transição fluida do dia para a noite (Sim, isso é lindo demais!), tais elementos não apenas ajudam no visual do game, como também afetam a aderência do carro na pista.
A trilha sonora mantém a identidade eletrônica essencial da franquia, causando a sensação de velocidade, isto principalmente com o foco no eurodance e synth-pop, muito populares na época de lançamento e que influencia a indústria até hoje em jogos similares - como podemos ver na continuação espiritual, com o jogo brasileiro Horizon Chase.
Apesar dos avanços estruturais, a arquitetura do jogo apresenta limitações técnicas e de design, que ao longo da jornada, dependendo da importância visual que o jogador atrela ao jogo, pode tornar algumas pistas um tanto monótonas, algo que na época influenciou o drop de algumas pessoas que eu conhecia e que anos depois, descobri ser mais comum do que eu imaginava.
A taxa de quadros instável também não ajudava, não erámos uma geração nada aficcionada por FPS em 2002, mas alguns slowdowns, principalmente quando se estava jogando com dois jogadores, eram muito perceptíveis, dificultando principalmente ultrapassagens quando se tinha múltiplos veículos na tela, pois é como se as cores se "misturassem" e dava a sensação de falha do veículo.
Devido à uma decisão da publicadora Kemco, tivemos a ausência de uma bateria de salvamento (SRAM) neste cartucho, o que obrigava ao jogador anotar um longo e antiquado sistema de passwords, para reter upgrades e capital. Ou seja, um erro de anotação ou a perda dela, ocasionava um problema de progresso gigantesco, muitas vezes também levando ao drop.
VEREDITO: Top Gear 2 é uma evolução robusta que substitui a simplicidade do original por uma profundidade estratégica viciante, consolidando-se como um pilar dos simuladores de corrida dos anos 90. Embora sofra com a ausência de save interno, slowdowns ocasionais e uma repetição visual que pode cansar os menos persistentes, o título compensa com uma atmosfera técnica impressionante e uma progressão recompensadora e se consagra como um dos grandes clássicos do gênero.