#0011 | Ultimate Mortal Kombat 3 (1995)


10/10 ★★★★★★★★★★

▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Super Nintendo Baby
▪ Controlador: Nintendo SNS-005

▪ Lançamento: 1995
▪ Gameplay: 2002
▪ Dificuldade: Extrema ◈◈◈◈◈

Tinha algo que eu torcia o nariz quando se tratava de Mortal Kombat no Super Nintendo: o fato de existir limitação de personagens, mesmo tendo um baita escopo à ser utilizado. Sua primeira versão contava com modestos sete lutadores, logo na sequência subimos para doze selecionáveis, mas quando chegamos nessa versão Ultimate, temos um malabarismo de engenharia pela Midway Games, que mesmo utilizando a matriz da terceira versão original, consegue criar esta expansão, resultando em incríveis vinte e quatro personagens jogáveis. Por conta disto, este título é considerado uma resposta da desenvolvedora à reclamações sobre este tópico pelo público, demonstrando que ouviam seus fãs, nos agraciando com reintegrações icônicas, como por exemplo o elenco dos ninjas mascarados (Scorpion, Reptile, Classic Sub-Zero, Ermac) e as famosas vilãs assassinas (Kitana, Mileena e Jade).

A experiência de combate aqui é frenética e impiedosa, exigindo reflexos apurados para dominar o botão de corrida e os combos devastadores que definiram o cenário competitivo da época. Nesta ferrenha gameplay, o título manteve o motor de combate estabelecido já em MK3, mas também adiciona novas modalidades, como o combate em duplas (2 vs 2) e um modo de torneio chaveado para até oito jogadores locais (Isso era muito bom! Você realizada torneios com seu bairro inteiro e não precisava de papel e caneta para contabilizar vitórias e derrotas, ficando tudo de forma automatizada pelo console).

Com a adição de cenários icônicos e finalizações extras, como os famosos Brutalities, o título se consolidou como o ápice da violência estilizada na era dos 16-bits, sendo considerado por muitos até hoje (Incluindo-me), o melhor jogo da série. A digitalização de atores reais por meio de técnica de captura de movimento e chroma-key, se tornou algo realmente desafiador, pois a conversão de um sistema avançado de fliperama para um cartucho limitado, exigiu um sistema de código compacto que muitos não acreditavam ser possível. Tivemos sim uma perda, pois os Animalities infelizmente tiveram que ser retirados, mas em sua essência, o jogo ainda nos trazia lutas brutais espetaculares como nos Arcades, equilibrando a nostalgia visual com uma jogabilidade técnica que ainda pune erros e recompensa o domínio total dos comandos.

A direção de áudio de Dan Forden, (O icônico compositor da franquia, famoso por aparecer no meio da luta com a fala "Toasty!"), conseguiu nos presentear com uma trilha sonora que adota uma atmosfera mais sombria, abandonando os ritmos inspirados em artes marciais orientais, como acontece nos primeiros jogos. Em troca, temos arranjos eletrônicos urbanos, misturando sintetizadores pesados e batidas de synth-rock, afim de combinar com o cenário apocalíptico da invasão de Outworld à Terra. Devido às limitações do chip de áudio da época, o banco de vozes foi drasticamente reduzido e o anunciador já não pronuncia o nome de grande parte dos personagens na tela de seleção, também percebi gritos de dor e reações de impacto diferentes, uma espécie de reciclagem se som, mas que configuro mais à limitação de hardware da época, do que erros de programação, pois este game compensa tais perdas, com a quantidade absurda de conteúdo jogável.

No design de cenários, mesmo com a adequação aos 32 megabits de memória do cartucho, ainda temos uma forte presença de direção de arte, inspirada em templos de artes marciais e ambientes urbanos apocalípticos e decrépitos, refletindo perfeitamente a narrativa do game. Para simular a profundidade tridimensional em um plano 2D, é aplicado efeitos de transição de fundo, que proporcionam contrastes através de efeitos estilo parallax e funcionam muito bem quando o assunto é imersão nos combates.

VEREDITO: Ultimate Mortal Kombat 3 é o triunfo absoluto da engenharia sobre a limitação de hardware da época, entregando uma conversão que desafia a lógica dos 16-bits e oferecendo uma experiência de luta de alta dificuldade e brutal. Ao ouvir os fãs e reintegrar personagens icônicos em um elenco massivo, a desenvolvedora deste game, não apenas corrigiu ausências, mas também deu aula de como fazer algo grande funcionar em um dispositivo compacto virtualmente. Mesmo com as concessões necessárias no banco de vozes e a remoção dos Animalities, o título compensa com uma jogabilidade frenética, modos de torneio automatizados e uma atmosfera apocalíptica impecável. É a celebração máxima da violência estilizada e, sem dúvida, o capítulo mais completo e tecnicamente impressionante já desenvolvido nesta franquia.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem