
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: Super Nintendo
▪ Jogado em: Super Nintendo Baby
▪ Controlador: Nintendo SNS-005
Eu realmente estava ansioso para poder jogar mais um bom action-RPG e mesmo estando com meu patamar de qualidade nas alturas após zerar Silver, eu iniciei uma busca implacável atrás de outro bom jogo, e foi assim que me deparei com Alundra 2. Este é um título que ousa na transição do 2D para o 3D, mesmo custando o apelo sombrio e melancólico característico de seu antecessor. Lançado originalmente no Japão e desenvolvido pela Matrix Software, esta obra representa uma ruptura conceitual, narrativa e tecnológica, principalmente por ter um desenvolvimento solo, sem vínculos narrativos, similar ao que acontece na franquia Final Fantasy. Eu que não tive contato com a primeira versão, pude acompanhar o desenvolvimento de uma história completa, a qual tive completo entendimento, devido à uma tradução realizada por fãs naquela época e sem viés causado em jogadores mais puristas.
Neste game, a mudança fundamental imposta pela desenvolvedora em sair do pixelart, é devido à ascensão dos polígonos em tela, algo que estava no auge com o Playstation 1 e Nintendo 64. Esta decisão técnica exigiu uma reestruturação completa da física e do level design, incluindo detalhes referentes à exploração e consequentemente à formulação de puzzles, que passaram a explorar a verticalidade e a profundidade do eixo Z. Percebe-se também, uma alta dose do gênero de plataforma, que trabalha a percepção de profundidade do jogador, principalmente em casos de saltos que exigem precisão milimétrica.
A estrutura narrativa do jogo opta pela fantasia cômica e inspirações nítidas em animes, contendo uma trama central, ambientada no Reino de Varuna, onde acontece a jornada de Flint, um espadachim adolescente procurado como fugitivo após ser acusado injustamente de traição. Aqui temos um arco clássico de vingança e seres excêntricos que possuem a capacidade tecnológica de fundir humanos e animais com próteses mecânicas, movidas por engrenagens e chaves de corda, transformando-os em soldados híbridos cibernéticos. Com isso, temos um resultando de uma experiência funcional para o gênero de aventura, que aproveita para tecer críticas mercadológicas, colocando em cheque as modificações em corpo humano, algo muito crescente na época (E hoje ainda mais), que traziam debates acalorados.
Kohei Tanaka, muito conhecido por seu trabalho em franquias como Sakura Wars e One Piece, conseguiu trazer uma trilha sonora que foca na atmosfera do projeto, saindo de arranjos melancólicos e fúnebres da versão anterior e partindo para composições orquestrais sintetizadas que entregam ritmos mais acelerados e também mais compatíveis com a nova densidade do jogo.
Na gameplay, temos uma progressão mais descentralizada do que um simples combate direto, forçando o jogador a dominar físicas e minigames de dardo, fliperama, corrida de carrinhos de mina e captura de animais biônicos para obter melhorias permanentes de vida e magia. Isto não apenas provoca o alongamento do jogo, mas também oferece uma experiência diversificada, que impede um dos grandes males deste tipo de jogo: a fadiga por repetição.
VEREDITO: Alundra 2 é uma lição de coragem e criatividade, provando que uma franquia pode se reinventar sem perder sua essência de desafio e qualidade. Ao abraçar o 3D e se inspirar no gênero plataforma, propicia uma transformação da franquia, valorizando a exploração em uma experiência vertical rica, instigando o avanço do jogador. Mesmo sendo uma ruptura ao seu antecessor, o título brilha com uma trilha sonora orquestral vibrante e uma progressão muito diversificada, oferecendo inclusive uma narrativa contundente, em uma jornada inovadora e cativante.