
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: Playstation
▪ Jogado em: Playstation One (Baby)
▪ Controlador: SONY SCPH-1180
Uns dois ou três anos antes de zerar, com o Playstation do então namorado da minha irmã, pude ter o meu primeiro contato com este game e me impressionei com a qualidade surreal que eu estava presenciando, pois nunca tinha experimentado um jogo de tiro em primeira pessoa tão realista como Medal of Honor. Desde então, prometi comigo que iria conquistar meu console, dedicado principalmente para esta obra-prima da DreamWorks Interactive. O tempo passou, e em 2003 consegui meu vídeo-game e finalmente pude aproveitar esta concepção idealizada diretamente pelo diretor Steven Spielberg. Isso mesmo, temos este nome gigante envolvido neste título, pois durante a produção do filme O Resgate do Soldado Ryan [1998], Spielberg notou o interesse de seu filho por jogos eletrônicos e concebeu a ideia de criar um título ambientado na Segunda Guerra Mundial, onde suas exigências foram: possuir rigor histórico e servir como ferramenta educativa. Além do grande diretor, tivemos o envolvimento do Capitão Dale Dye, que garantiu a precisão militar da narrativa, dos uniformes e dos armamentos.
Assumi então o papel do tenente Jimmy Patterson, um agente recrutado pelo Escritório de Serviços Estratégicos (OSS), predecessor da CIA, encarregado de missões de infiltração, espionagem, uso de disfarces e sabotagem atrás das linhas inimigas na Europa ocupada. Rompendo com o padrão da época, onde os inimigos agiam de forma prevísivel, os soldados controlados por este jogo tinham rotinas de autopreservação, aproveitando inclusive a geometria de determinados locais do cenário, afim sair de raios de tiros, explosões e artefatos, trazendo assim uma gameplay desafiadora e muito interativa.
Este título foi construído sobre um código customizado de um jogo também muito conhecido, o Quake. Por isso temos um mapeamento poligonal de dano muito preciso, assim como as reações físicas e animações distintas, pois como o esqueleto do jogo pode ser aproveitado, a equipe de desenvolvimento pode se dedicar em detalhes que geralmente não são possíveis, devido aos prazos de entrega impostos pelo mercado.
No controle, devido à ausência inicial de analógicos duplos padronizados do PS1, foi implementado um sistema mecânico que combinava movimentação tradicional com um botão dedicado de mira manual, o qual fixava os pés do protagonista no chão e liberava a movimentação livre da retícula pela tela. Embora isso possa parecer uma espécie de "gambiarra", na prática a exigência desta preparação trazia ainda mais realismo, pois o tempo em que o jogador pensa antes de atirar, é o que realmente aconteceria numa situação dessas em uma guerra real.
O áudio composto pela direção musical de Michael Giacchino é composta por uma trilha sonora que inspira, empolga e principalmente: lhe faz querer jogar Medal of Honor. Isso tudo graças a alta qualidade e fidelidade dos instrumentistas da Orquestra Sinfônica de Seattle, que demonstraram para todo mundo, o poder da 4a arte clássica. E vai além, pois o motor do jogo sincroniza essa orquestração dinamicamente, conforme as ações do jogador e do que acontece à sua volta, como por exemplo a alteração de andamentos e melodias com base no nível de ameaça.
Infelizmente o PS1 tinha o famoso pop-in (o surgimento tardio de texturas no horizonte), algo que atrapalhava diversos desenvolvimento e com este game não foi diferente. A resolução para este tipo de limitação de hardware aplicada aqui, foi similar ao Silent Hill, o uso intensivo de névoas de renderização e escuridão aplicada, mascarando assim os defeitos visuais causados pelo console. Com isso, o level design necessitou de maiores cuidados, para que artifícios deste tipo se tornassem naturais à jogatina. Os desenvolvedores então optaram por manter restrições de escala, priorizando corredores urbanos, passagens lineares e instalações fechadas, não sobrecarregando o vídeo-game, que contava apenas com 2MB de RAM.
VEREDITO: Medal of Honor, sob a curadoria visionária de Spielberg, transcende as limitações técnicas do PlayStation 1, e aplica uma inteligência artificial revolucionária para a época. Isso tudo, com uma trilha sonora sinfônica que permanece como uma das mais imponentes da indústria, trazendo uma experiência imersiva, tática e emocionalmente impactante. É uma obra incrível, que definiu os pilares da narrativa de guerra moderna e provou que, com talento e engenharia criativa, é possível alcançar um nível de programação que beira à excelência.