
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: Playstation
▪ Jogado em: Playstation One (Baby)
▪ Controlador: SONY SCPH-1180
"Uma pequena prequela" foi o que me disseram, mas não, Medal of Honor: Underground é muito mais que isso. Contendo um enredo paralelo ao título original, e mantendo o desenvolvimento na DreamWorks Interactive, esta expansão esbanja genialidade narrativa com a subversão do protagonismo tradicional, pois o jogador deixa a perspectiva de um soldado americano treinado da OSS para assumir o controle de Manon Batiste, uma jovem que testemunha a invasão na França e ingressa à Resistência, após a morte do irmão. Essa mudança de perspectiva confere à obra um tom consideravelmente mais intimista e focado em guerrilha do que numa grande guerra, iniciando a campanha com sabotagens urbanas e utilizando coquetéis molotov em uma Paris ocupada.
Mantendo o motor gráfico customizado de Quake, mas trabalhando ele de uma forma substancialmente diferente, Underground demonstra uma notável evolução de escala. Equanto o primeiro jogo dependia fortemente do confinamento em bunkers, aqui vemos ruas abertas e detalhamento nas texturas. A aclamada inteligência artificial foi aprimorada e diversificada, com inimigos que agora operam posições fortificadas com metralhadoras fixas de forma mais letal; conduzem veículos e até utilizam de cães pastores alemães em suas defesas. Outra inovação mecânica foi a inclusão de NPCs que devem ser ativamente escoltados, adicionando camadas de proteção de alvo e mudando completamente a forma estratégica de se jogar.
A direção de áudio consolida o trabalho magistral do compositor Michael Giacchino, que expande uma trilha sonora para um lado mais emotivo e dramático, utilizando até coros vocais. O jogo ainda reflete as limitações crônicas do console, recorrendo ao uso intenso de escuridão e névoa agressiva, como acontece com seu antecessor (O anti pop-in).
Agora, algo que realmente impressionou muito na época, é a expansão dentro da expansão. Sim eu sei, pode parecer confuso, mas funcionou como uma espécie de easter egg bizarro, chamado de Panzerknacker Unleashed. Funcionava assim: o jogador desbloqueava missões extras não-canônicas onde assumia novamente o controle de Jimmy Patterson (Do primeiro jogo), em um castelo macabro, enfrentando cães de guarda que empunham metralhadoras, cavaleiros zumbis e quebra-nozes de madeira gigantes! Sinceramente, acredito que isso foi desenvolvido como uma espécie de contraste cômico nas horas vagas dos programadores, o que na prática, se tornou uma lenda na cultura urbana do Playstation 1.
VEREDITO: Medal of Honor: Underground se recusa a viver na sombra do original. A escolha de trocar o militarismo tradicional pela guerrilha urbana oferece um peso narrativo e estratégico que transforma a experiência, exigindo uma nova postura do jogador diante de cenários mais abertos e de uma inteligência artificial aprimorada. Embora as restrições do console forcem truques visuais limitantes para a época, o design de som primoroso e a coragem de integrar modos extras genuinamente absurdos consolidam a obra. É uma evolução mecânica e criativa que se sustenta com forte identidade própria e mesmo que minha avaliação - que busco ser o mais imparcial possível - o configure com uma nota menor que o original, este é pessoalmente, o meu preferido da franquia.