
9/10 ★★★★★★★★★✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403
Shinji Mikami nos trouxe uma das principais controvérsias do mercado, rompendo os laços com a extinta corporação Umbrella e os tradicionais zumbis de Raccoon City. Neste jogo temos um enredo que avança para o ano de 2004, acompanhando o ex-policial e agora agente governamental Leon S. Kennedy. A narrativa subverte o terror biológico viral em favor do parasitismo: os inimigos não são mais mortos-vivos que se rastejam sem pensamento, temos agora camponeses infectados pelo antigo parasita Las Plagas, com uma inteligência rudimentar e aterradora. Com isso, vemos zumbis que organizam emboscadas, empunham ferramentas agrícolas como armas, e até se comunicam em um espanhol rústico. Essas novas mecânicas tiveram uma grande aceitação pela comunidade gamer, e Resident Evil 4 foi um sucesso, inspirando outras duas sequências focadas em ação - que infelizmente trouxeram o declínio da saga, devido ao acréscimo excessivo de personagens quase heroicos (cinematografia exagerada), não apenas se distanciando levemente como fez este título, mas sim descaracterizando de todos os trejeitos da franquia.
Creditado por padronizar o design moderno dos jogos de tiro em terceira pessoa, vemos então uma câmera que finalmente abandona os ângulos fixos claustrofóbicos de seus antecessores e adota por uma técnica muito conhecida hoje em dia, o over-the-shoulder. Vale destacar, que mesmo com essas mudanças, temos ainda um sistema de controle que impossibilita andar e atirar simultaneamente, ou seja, os desenvolvedores optaram por preservar certa tensão em momentos de defesa de área. A gestão de recursos também sofreu uma reformulação, com a Attache Case (A icônica matela), que brilha com o sistema de armazenagem, lembrando muito o mini-game Tetris (Eu que tenho TOC, mantinha ela numa organização impecável!). Temos ainda o Mercador, um NPC misterioso que permite a compra, venda e aprimoramento progressivo do arsenal de armas, até hoje muito elogiado pelos fãs.
No áudio, Misao Senbongi e Shusaku Uchiyama, precisaram se reinventar para acompanhar ao novo formato de ação e com isso ouvimos uma trilha sonora que substitui os silêncios prolongados e as sonatas melancólicas por composições industriais de ritmo pulsante, abusando de percussões metálicas e sintetizadores ríspidos, ditando o estado de alerta sempre constante. O espanhol que citei anteriormente, também nos traz a imersão de localização necessária em meio à gameplay, com as famosas expressões: "¡Un forastero!" e "¡Detrás de ti, imbécil!".
Joguei no PC, e acredite, esta versão esta inferior à original do GameCube, isto porque o port não foi bem planejado, sendo utilizada uma versão visualmente inferior do PlayStation 2. O resultado é que percebi uma remoção de recursos, principalmente na iluminação dinâmica, deixando o jogo um tanto opaco. Outro erro grande nessa versão foi a falta de compatibilidade de mouse, obrigando o jogador a utilizar o teclado numérico para simular a mira - Resolvi isso utilizando o joystick, mas também tivemos atualizações posteriores que corrigiram essa gafe de lançamento.
VEREDITO: Resident Evil 4 teve uma mudança drástica na direção da franquia, mas que provou ser um risco muito bem calculado. Ao substituir o terror de sobrevivência clássico pela perspectiva over-the-shoulder, o título ditou as regras dos jogos de tiro modernos, onde temos uma quantidade massiva de inspirações. Sistemas como a organização estratégica do inventário e a economia com o Mercador criam um ciclo mecânico muito cativante. Infelizmente, a avaliação não atinge o ápice apenas devido ao port inicial problemático, que comprometeu a iluminação original e entregou controles mal adaptados. Contudo, o impacto de sua jogabilidade inovadora e a atmosfera de constante urgência asseguram a força do jogo, mantendo o foco na tensão, diferente de suas sequências que perderem a mão.