
10/10 ★★★★★★★★★★
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403
"Seu PC roda Crysis?": Esta era a grande pergunta que a Crytek fundamentou na cultura gamer de todo mundo em 2007, pois este jogo transcendeu a definição gráfica que todos conheciam, sendo considerado até hoje um marco da engenharia computacional. Mas como não é só de gráficos que se faz um jogo, temos ainda uma narrativa que opera estruturalmente como um thriller militar geopolítico ambientada no ano de 2020 nas fictícias Ilhas Lingshan. A trama coloca o jogador no controle de Nomad, um operador da Força Delta integrante do esquadrão Raptor, enviado para investigar um pedido de socorro em meio a uma invasão do Exército Popular da Coreia. A genialidade do roteiro em suas horas iniciais reside em fazer o jogador se sentir como um predador alfa imbatível em uma selva vasta, caçando soldados humanos. Porém, após algum tempo de jogo é surpreendido por uma raça extraterrestre (os Ceph), que adormecia congelada no interior da montanha da ilha, trazendo o real desafio do game.
Sendo um sucessor espiritual do Far Cry (Sim, a Crytek é quem inicia esta franquia, que posteriormente é adquirida pela Ubisoft), Crysis expande massivamente a filosofia tática de mundo aberto, permitindo que o jogador não apenas defina a sua localização, mas que também interaja com cenários, veículos e estruturas. Para apoiar esta exploração e também as batalhas, temos o famoso Nanosuit, um exoesqueleto impulsionado por fibras musculares artificiais que concede ao jogador quatro modos operacionais geridos por uma barra de energia, sendo: Armadura Máxima, Força Máxima, Velocidade Máxima e Ivisibilidade/Camuflagem. O traje permite desde infiltrações puramente furtivas à ataques frontais de força bruta ou até mesmo evasões que desafiam a física - Você realmente se sente um super herói com este equipamento.
Com a CryEngine 2, o grande humilhador de hardware da época, foi possível implementar iluminação volumétrica avançada; sombras dinâmicas projetadas por cada folha de vegetação individualmente; oclusão ambiental de tela e shaders de simulação de água oceânica que se mantêm visualmente impressionantes até hoje.
Na direção musical, temos um tom que acompanha o desenvolvimento tecnológico da trama, com uma trilha sonora composta pelo veterano Inon Zur, é possível perceber um sistema dinâmico de múltiplas faixas, que transitam suavemente conforme a gameplay. Outro ponto que vale destacar é a qualidade sonora em explosões, mesmo que já sejam visualmente impactantes, sem os detalhes da reverberação acústica hiper-realista, não teriam tido o mesmo impacto de impressionismo. Temos ainda os disparos ecoando pelos vales densos e os ruídos mecânicos e perturbadores das máquinas alienígenas, que transbordam de uma fidelidade gigantesca. A dublagem não fica nada atrás, sendo levado em conta a distância dos NPC's e claro, com as falas icônicas ao mudar o dispositivo do traje, como a icônico bordão: "Maximum armor".
VEREDITO: Crysis, mesmo hoje, tem a sensação de escala e física tão realista, que faz dele um marco tecnológico, sendo um divisor de águas incontestável, que nos mostrou as grandes possibilidades dos games. Muito além do que apenas uma demonstração de força do hardware, temos uma jogabilidade de tiro em primeira pessoa muito superior à vários títulos modernos, ainda mais se pensarmos na versatilidade do Nanosuit, que entrega uma agência tática ímpar, sustentando com perfeição a transição narrativa e fluida desta excelente trama de ficção científica.