
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403
A continuação do aclamado jogo da Crytek pega a fórmula do primeiro e injeta uma dose cavalar de adrenalina, com combates agora mais focados em velocidades do que estratégia. O foco aqui, era trazer algo que não existia no título original: acessibilidade de hardware. Para isso, os desenvolvedores realizaram uma reestruturação profunda no código da famosa CryEngine 2, otimizando a alocação de memória e o processamento de texturas (E saindo da fantasia de acreditar que processadores chegariam à 8Ghz). Isso garantiu uma impressionante fidelidade visual, mas que infelizmente ainda não pode ser tão aproveitado em computadores mais modestos, pois o "peso" foi compensado com os combates frenéticos e momentos cinematográficos constantes. Ou seja, abriram margem de processamento e já utilizaram a mesma, não dando brecha ainda a sistemas inferiores.
Ainda pensando em encorajar uma abordagem mais agressiva, foi introduzida armas pesadas, como a submetralhadora e o lança-granadas. Ferramentas desenhadas especificamente para anular escudos de energia dos novos modelos de infantaria e drones alienígenas que lotam o campo de batalha (Granadas EMP também são de muita serventia nesses casos).
A estrutura narrativa de Crysis Warhead opera como uma campanha paralela simultânea aos eventos do título de 2007, afastando-se da frieza tática do protagonista original e apelando para uma ótica mais pessoal. Aqui, o jogador assume o controle do sargento britânico Michael "Psycho" Sykes, um operador da Força Delta cujo temperamento volátil, lealdade ferrenha e sarcasmo, contrastam diretamente com o pragmatismo silencioso de Nomad. Ao invés do arco de mistério gradual e suspense científico do primeiro jogo, a narrativa assume um tom de um filme de ação ininterrupto, agradando alguns, mas desagradando aqueles que estavam contentes com o método anterior. E mesmo possamos observar diversas rotas de flanqueamento, as mesmas não funcionam muito bem, pois o jogo induz o player à engajamentos frontais explosivos, ficando certos pontos do mapa completamente ignorados.
O design de áudio acompanha essa escalada rítmica com a trilha sonora assumida pelo compositor Peter M. Wolynec, que substitui a grandiosa orquestração climática do game anterior. Em Warhead temos batidas percussivas pesadas, guitarras e sintetizadores frenéticos de ritmo industrial, atrelando-se dinamicamente aos sensores do Nanotraje, afim de demonstrar a agressividade de cada tiroteio.
A campanha principal é curta, e isso com certeza decepcionou parte da base de fãs, que esperavam algo muito grandioso, devido à expectativa do mercado. Outra decepção foram os sistemas de segurança, dito por muitos desnecessários e invasivos, onde o software limitava rigorosamente o número de instalações e criava processos ocultos de fundo, o que na prática também influenciava o desempenho, justamente em um jogo onde a proposta era melhorá-lo.
VEREDITO: Crysis Warhead, embora com uma curta campanha, é um bom jogo de FPS. Porém em relação ao título anterior, vemos pouca inovação e uma falsa promessa acessibilidade de hardware, onde a própria empresa utiliza a folga administrada na engine. O traje esta lá, os cenários continuam belos, e você ainda se sente um herói, porém a Crytek acaba passando do ponto com excessos de efeitos especiais e explosões. Isso, aliado com a quantidade massiva de armas pesadas e um sistema de segurança que ocupa parte do processamento, nos traz um jogo um pouco mais facilitado e ainda mais instável em desempenho.