#0025 | Dark Sector (2008)


8/10 ★★★★★★★★✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403

▪ Lançamento: 2008
▪ Gameplay: 2008 ✪ Melhor do ano
▪ Dificuldade: Fácil ◈◈◇◇◇

Este é o protótipo conceitual e o predecessor espiritual do colossal sucesso multijogador Warframe, sendo uma daquelas joias subestimadas que oferecem uma experiência de combate visceral e única, tendo um formato de gameplay que lembra muito Gears of War. Este título apresenta uma narrativa que mistura espionagem militar da Guerra Fria com horror biológico, onde o jogador assume o papel de Hayden Tenno, um agente de operações especiais afligido por uma incapacidade patológica de sentir dor física. Hayden é enviado à nação fictícia de Lasria, para interceptar um ex-agente desonesto chamado Mezner, mas durante a infiltração é infectado pelo vírus Technocyte, um patógeno que funde matéria orgânica com metal.

Quando lançado, o grande auge eram jogos de tiro, embora Dark Sector tenha mantido essa mecânica, trouxeram um diferencial, a Glaive. Este bumerangue biomecânico de três lâminas dita todo o fluxo tático da obra, pois antes de entrar em um entrave, você se acostuma a visualizar as possíveis formar de utilizá-lo. O jogo não apenas permite que esta arma seja arremessada para amputar membros de inimigos, mas também introduz o sistema de Aftertouch, uma mecânica onde a câmera acompanha o projétil em câmera lenta, permitindo ao jogador guiar a trajetória da lâmina manualmente no ar para contornar paredes e atingir alvos ocultos. O level design é linear, em meio à vielas escuras, complexos industriais e laboratórios subterrâneos, onde o cenário funciona como um quebra-cabeça ambiental, principalmente em se tratando do uso da lâmina. 

A trilha musical composta por Mark Kilian abandona os tradicionais arranjos orquestrais de heroísmo militar para abraçar uma estética de dark ambient, ecoando perfeitamente a natureza metálica e patológica do vírus Technocyte. Enquanto isso, no design sonoro, temos o destaque técnico na renderização acústica orgânica da própria Glaive, como o som cortante que rasga o ar, mantendo detalhes de rotação e impacto contra a carne dos inimigos, transformando tudo em um gore audível. 

Este jogo sofreu um pouco na experiência de combate, devido ao arsenal de armas de fogo convencionais (pistolas, fuzis de assalto e espingardas) apresentarem uma balística fraca e uma dispersão de tiro estranho, dando a impressão de que os desenvolvedores queriam forçar você a utilizar a Glaive e mantiveram as armas somente para salientar o padrão da indústria que mencionei anteriormente. O sistema de inteligência artificial não é dos melhores, pois os inimigos ainda se comportam como em outros jogos antigos, correndo em linha reta ou até mesmo expondo-se fora do sistema de cobertura, tipíco de NPC's suicidas, que acaba derrubando muito a dificuldade do jogo.

VEREDITO: Dark Sector constrói sua identidade quase inteiramente sobre a sua mecânica central: o uso tático da Glaive, combinado com a brutalidade do design de som e ambientes integrados como puzzles, sustenta uma experiência de ação original e engajante. 
É uma obra criativa e subestimada, que brilha por sua inovação de horror biológico, mas que perde precisão ao tentar emular os padrões de jogos de tiro da sua época.

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