
8/10 ★★★★★★★★✰✰
▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403
Este jogo entrega uma narrativa de ação em mundo aberto focada no horror biológico e em um anti-herói nada moral. Controlamos aqui Alex Mercer, que desperta sem memórias em um necrotério de Nova York, consumido pelo vírus mutagênico Blacklight. Percebendo o cansaço que estamos de história de salvadores, os roteiristas brilham ao não tratar Mercer como um 'O escolhido', mas sim como o ápice da cadeia alimentar, em uma guerra de três frentes: civis em pânico, forças militares e abominações infectadas. Além disso, a história não é apenas mastigada por cutscenes, temos que assimilar diversos alvos específicos, consumindo sua biomassa para roubar suas identidades e injetar as memórias fragmentadas dessas vítimas diretamente na mente de Mercer, montando o quebra-cabeça da conspiração.
O motor gráfico consegue processar as destruições em escala urbana, com mecânicas de locomoção extraordinárias e uma física que desconsidera totalmente as restrições de inércia, aqui temos o caos em formato de gameplay. Mercer corre verticalmente pelas fachadas de vidro dos arranha-céus, plana sobre quarteirões e aterra quebrando o asfalto sob seu peso, tudo isso com animações muito bem feitas e ainda garantido um desempenho muito satisfatório. O level design permite uma dualidade tática brilhante: o jogador pode dizimar quarteirões inteiros sequestrando helicópteros e arremessando tanques de guerra com as próprias mãos ou utilizar furtividade biológica, assumindo a identidade visual e o nível de acesso militar da última pessoa que consumiu para caminhar livremente entre patrulhas do exército - mas confie em mim, você vai querer destruir tudo sempre!
O design de áudio foca na fisicalidade repulsiva da mutação, destacando o som visceral de carne se rompendo e ossos estalando. Isso tudo trazendo o pânico de sirenes disparando e fogo cruzado contínuo, criando uma sinfonia de colapso total e sendo condizente ao que vimos em tela. Contudo, em sua execução temos um problema grava: a incompatibilidade de mais de quatro núcleos físicos ou lógicos, que resulta em um crash instantâneo na tela inicial para processadores modernos, o que obrigava de forma prévia a desativação dos processadores extras afim de rodar o game.
VEREDITO: Prototype tem a escolha de não optar pela figura do herói tradicional e focar em um predador implacável, o que nos traz um grande peso narrativo, inteligentemente amarrado à mecânica de absorver memórias. A fluidez da locomoção e a física libertadora entregam uma jogabilidade divertida que transita de forma orgânica entre a furtividade biológica e a destruição massiva de quarteirões, tudo sustentado por um áudio visceral que reflete o caos urbano. Poderia ser um nota 9, se considerar o nível de inovação para a época, mas que pesa na minha avaliação o erro crítico de compatibilidade com processadores modernos, ainda mais se levar em conta que seu lançamento, se deu exatamente na época em que estávamos em transição nesse sentido.