#0029 | Resident Evil 5 (2009)


6/10 ★★★★★★✰✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD4850)
▪ Controlador: XBOX360 1403

▪ Lançamento: 2009
▪ Gameplay: 2009
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Resident Evil 5 transporta a franquia do isolamento noturno para o terror sob a luz do sol escaldante na fictícia região de Kijuju, na África. O roteiro acompanha o veterano Chris Redfield e a agente local Sheva Alomar na caça a contrabandistas de armas biológicas. A trama enterra definitivamente o survival horror, se desviando quase que completamente dos clássicos em favor de uma grandiosa epopeia de ação militar, numa falsa crença da Capcom onde mais ação seria igual a melhor desenvolvimento - Levando em conta o sucesso de Resident Evil 4. Culminando no retorno do icônico Albert Wesker, que planeja a saturação global com o vírus Uroboros, a narrativa foca menos no medo do desconhecido e mais no impacto trágico e caótico do bioterrorismo, desta vez sobre populações vulneráveis em nações subdesenvolvidas.

Desenvolvido já pensando no modo cooperativo, essa decisão alterou drasticamente a economia de sistemas, onde o inventário de nove slots passou a operar em tempo real. A física de combate refinou o modelo de seu antecessor, expandindo os ataques corpo a corpo contextuais (ganchos, pisões) que agora atacavam com maior agilidade, utilizando por exemplo metralhadoras em cenários mais abertos.

O design de áudio orquestrado por Kota Suzuki adaptou-se a essa escala grandiosa ao estilo blockbuster, trocando os arranjos opressivos por percussões tribais rítmicas, coros épicos e um foco acústico no clamor agressivo das multidões infectadas.

Um ponto que vale destaque é a otimização gráfica, que foi excelente. Suportando resoluções altas, taxas de quadros fluidas e sendo um dos pioneiros na demonstração da tecnologia de óculos NVIDIA 3D Vision. Porém, assim como diversos títulos da época, este jogo sofreu muito com a inclusão da DRM da Microsoft, o Games for Windows Live, que corrompia arquivos de salvamento locais e dificultava imensamente as conexões multiplayer, isto em um jogo que tinha foco em co-op. Este foco era evidenciado ao perceber outro erro estrutural de alto nível: a inteligência artificial programada em Sheva é desastrosa! Ela desperdiça munição de alto calibre em inimigos comuns, consome itens de cura valiosos sem necessidade, nunca se protege e ainda atrapalha a visão de tiros do jogador. Isso trazia a sensação de que a desenvolvedora gostaria de forçar o jogador à zerar o game a dois, esquecendo que a franquia vinha justamente do sucesso single player.

VEREDITO: Resident Evil 5 é a transição definitiva do terror de sobrevivência para a ação militar, isso com um design de gameplay confuso, infelizmente não compensado por sua bela otimização gráfica. Esta experiência desmorona ao ancorar seu funcionamento em um formato obrigatoriamente cooperativo e que no fim falha nas duas frentes - Se jogado sozinho, você é punido por uma inteligência artificial aliada desastrosa e no online, esbarra com problemas crônicos de DRM. Este jogo é o marco da decadência do maior nome nos jogos de terror, mas que vejo hoje com um mal necessário, pois levou a Capcom à reflexão, conseguindo se consagrar (após sua reformulação), como um dos principais players do mercado.

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