#0044 | Max Payne 3 (2012)


6/10 ★★★★★★✰✰✰✰

▪ Versão: PC (Windows)
▪ Jogado em: PC (Athlon II X4 + HD5850)
▪ Controlador: XBOX360 1405

▪ Lançamento: 2012
▪ Gameplay: 2012
▪ Dificuldade: Moderada ◈◈◈◇◇

Quando ouvi dizer: "Um Max no Payne no Brasil", confesso que já não esperava muita coisa. Não tem haver com a nacionalidade escolhida e sim com a superficialidade que ela poderia trazer, pois é deixado o estilo noir afim de trazer a franquia para algo tropical, perdendo o peso narrativo da obra - O que infelizmente, foi exatamente o que aconteceu. Além da mudança drástica de localidade, temos ainda um roteiro que nos traz um Max envelhecido, alcoólatra, careca e viciado em analgésicos. Em sua "aposentadoria" trabalha como segurança privado para uma rica e disfuncional família, os Branco. A trama segue para uma conspiração corporativa, sequestros e corrupção policial, despindo o personagem de qualquer romantismo heroico e transformando sua jornada em uma busca brutal por redenção (ou não) em meio ao caos urbano.

Os sistemas físicos do jogo realmente impressionam para a época, mas sendo este o maior triunfo que a obra consegue atingir, onde o motor gráfico RAGE brilha principalmente com os movimentos, tendo o óbvio destaque para o clássico salto em slow-motion. Este Bullet Time, gerido por uma barra de energia, introduziu algo interessante, o sistema de última chance: se o jogador conseguir abater o inimigo que desferiu o tiro fatal antes que a tela escureça, tem uma nova tentativa de prosseguimento.

A representação de São Paulo transita entre coberturas luxuosas de bairros nobres e a complexidade geográfica das favelas, mas sempre com os clássicos estereótipos, algo que estamos acostumados quando nosso país é retratado por estrangeiros. No som, a trilha sonora é composta pela banda Health, que mistura um estilo industrial de noise rock e synth-pop, substituindo os arranjos clássicos de cordas melancólicas dos jogos anteriores, o que na minha opinião, mexeu drasticamente com a identidade da franquia. Na narração, me pareceu algo um tanto mecânico e exagerado propositalmente, como palavrões sem contexto e personagens com falas empolgadas em momentos passivos.

Em computadores, o DirectX 11 e recursos de tesselação avançados, assim como resoluções extremas estão plenamente disponíveis, mesmo sendo um padrão de indústria muito novo para o ano em que este título veio à público. Esta arquitetura de software permitiu controles de mouse e teclado cirúrgicos, cruciais para a precisão milimétrica exigida pelas mecânicas deste tipo de game. Vale destacar que o uso de filtro amarelo foi exagerado, parecendo que o jogo queria esconder erros gráficos ou forçar um realismo cinematográfico de forma constante, o que acabou anulando boa parte das cores vibrantes que vemos em nosso país.

VEREDITO: Max Payne 3 abandona sua clássica identidade noir para entregar uma visão tropical e estereotipada do Brasil. Embora a parte técnica brilhe com uma física impressionante e mecânicas de slow-motion muito bem executadas, o título peca ao descaracterizar o protagonista e a essência da franquia. O excesso de filtro amarelo para apelar à um tom cinematográfico, a nova trilha sonora e as atuações forçadas, transformam Max Payne em apenas mais um jogo de ação, sendo inclusive pouco lembrado nos pela comunidade gamer atual.

Postar um comentário

Postagem Anterior Próxima Postagem